Pular para o conteúdo
PortalJUSTIÇA
Jurisprudências

STJEDcl no AgRg no AgRg no AREsp 3.016.568

Prescrição da pretensão punitiva: pena em concreto

Relator(a): Joel Ilan Paciornik

  • Processo Penal
  • Direito Penal
  • Direito Bancário
  • Prescrição da pretensão punitiva
  • Pena em concreto
  • Crime de gestão fraudulenta de instituição financeira
  • Irretroatividade das Leis n. 11.596/2007 e n. 12.234/2010
  • Extinção da punibilidade
  • VEJA A EMENTA E DEMAIS INFORMAÇÕES

Ementa

Direito processual penal. Embargos de declaração. Prescrição da pretensão punitiva. pena em concreto. Crime de gestão fraudulenta de instituição financeira. Irretroatividade das Leis n. 11.596/2007 e n. 12.234/2010. extinção da punibilidade. Embargos acolhidos.

I. Caso em exame

1. Embargos de declaração opostos contra acórdão que desproveu agravo regimental, com alegação de omissão quanto ao reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva pela pena em concreto, matéria de ordem pública cognoscível de ofício.

2. Fato relevante. Condenação do embargante à pena de 4 anos de reclusão pelo crime do art. 4º, caput, da Lei n. 7.492/1986, por fatos praticados entre 1995 e 1998; recebimento da denúncia em 12/7/2005; sentença condenatória publicada em 19/6/2013; reconhecimento, pelo magistrado sentenciante, da prescrição quanto ao delito do art. 288 do Código Penal.

3. As decisões anteriores. Redução da reprimenda por órgão colegiado desta Corte e desprovimento de agravo regimental pela Turma julgadora.

II. Questão em discussão

4. Há duas questões em discussão: (i) saber se ocorreu a prescrição da pretensão punitiva, à luz do prazo do art. 109, IV, do Código Penal, considerados os marcos entre os fatos e o recebimento da denúncia, bem como entre a sentença condenatória e a presente data; e (ii) saber se incidem, no caso, as alterações introduzidas pelas Leis n. 11.596/2007 (interrupção da prescrição pelo acórdão condenatório) e n. 12.234/2010 (art. 110, § 1º, do Código Penal), em relação a crimes praticados anteriormente à sua vigência.

III. Razões de decidir

5. Os embargos de declaração visam sanar omissão, obscuridade, ambiguidade ou contradição (CPP, art. 619), admitindo-se também a correção de erro material (CPC, art. 1.022, III), e autorizam o reconhecimento de matéria de ordem pública de ofício (CPP, art. 61).

5. A irretroatividade da lei penal mais gravosa impede a aplicação ao caso do art. 110, § 1º, do Código Penal, introduzido pela Lei n. 12.234/2010, pois os fatos são anteriores à sua vigência.

6. Transcorrido lapso superior a 8 anos entre parte dos fatos (1995-1998) e o recebimento da denúncia (12/7/2005), bem como entre a sentença condenatória (19/6/2013) e a presente data, nos termos do art. 109, IV, do Código Penal.

7. Inexistência de outro marco interruptivo válido. A interrupção da prescrição pelo acórdão condenatório (CP, art. 117, IV), introduzida pela Lei n. 11.596/2007, não se aplica retroativamente a crimes anteriores à sua vigência, mantendo-se, para o período, como último marco interruptivo a publicação da sentença condenatória recorrível.

8. Reconhecida a prescrição superveniente da pretensão punitiva, impõe-se a declaração de extinção da punibilidade (CP, art. 107, IV, c/c art. 109, IV).

IV. Dispositivo e tese

9. Resultado do Julgamento: Embargos de declaração acolhidos, com reconhecimento da prescrição da pretensão punitiva e declaração de extinção da punibilidade.

Teses de julgamento:

Dispositivos relevantes citados:CPP, arts. 61 e 619; CPC, art. 1.022, III; CP, arts. 107, IV; 109, IV; 110, § 1º; 117, IV; Lei n. 7.492/1986, art. 4º, caput; Lei n. 11.596/2007; Lei n. 12.234/2010

Jurisprudência relevante citada:STF, HC 176.473/RR, Rel. Min. -; STJ, EDcl no AgRg no REsp 1.847.462/SP, Rel. Min. João Otávio de Noronha, Quinta Turma, j. 14.09.2021

Tese

Dispositivos relevantes citados:CPP, arts. 61 e 619; CPC, art. 1.022, III; CP, arts. 107, IV; 109, IV; 110, § 1º; 117, IV; Lei n. 7.492/1986, art. 4º, caput; Lei n. 11.596/2007; Lei n. 12.234/2010

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, acolher os embargos, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas e Ribeiro Dantas votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

Indexação

VEJA A EMENTA E DEMAIS INFORMAÇÕES

Cookies e privacidade

Usamos cookies essenciais para o portal funcionar e, se você permitir, o Google Analytics para medir a audiência de forma agregada. Saiba mais na Política de privacidade.