STJAgInt no AREsp 2.821.998
Prequestionamento: ausência de enfrentamento explícito das teses pelo acórdão recorrido
Relator(a): Gurgel de Faria
- Processo Civil
- Direito Civil
- Direito Tributário
- Prequestionamento
- Ausência de enfrentamento explícito das teses pelo acórdão recorrido
- Prequestionamento ficto
- Inaplicabilidade
- Fundamento em ato infralegal
- Não cabimento
Ementa
PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA DE ENFRENTAMENTO EXPLÍCITO DAS TESES PELO ACÓRDÃO RECORRIDO. SÚMULAS 282 DO STF E 211 DO STJ. PREQUESTIONAMENTO FICTO. INAPLICABILIDADE. FUNDAMENTO EM ATO INFRALEGAL. RECURSO ESPECIAL. NÃO CABIMENTO.
1. A admissibilidade do recurso especial exige que o Tribunal de origem tenha efetivamente enfrentado a tese jurídica suscitada pelo recorrente, ainda que sem menção literal aos dispositivos legais. Na hipótese, a decisão agravada concluiu pela ausência desse enfrentamento, e os argumentos do agravo interno não foram suficientes para infirmar tal conclusão, pois se limitaram a transcrever trechos do acórdão que tratavam de questões periféricas, sem demonstrar o debate específico sobre os limites de revisão do lançamento tributário previstos nos arts. 145, 149 e 150, § 4º, do CTN.
2. A ausência de alegação de violação do art. 1.022 do CPC/2015 no recurso especial obsta a aplicação do prequestionamento ficto previsto no art. 1.025 do CPC/2015, sendo irrelevante que a parte considere desnecessária tal providência.
3. O acórdão recorrido fundamentou-se na Resolução SEF n. 6.346/2001 para descrever a infração cometida, e a análise da controvérsia demandaria o exame de ato normativo infralegal, o que não se admite na via do recurso especial (art. 105, III, "a", da CF).
4. Agravo interno desprovido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 05/05/2026 a 11/05/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Paulo Sérgio Domingues, Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina e Regina Helena Costa votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina.