TSTRRAg 10752-47.2018.5.03.0016
Parte sucumbente beneficiária da justiça gratuita
- Direito do Trabalho
- Direito Constitucional
- Processo Civil
- Direito do Consumidor
- Parte sucumbente beneficiária da justiça gratuita
- Julgamento da ADI 5.766/DF pelo supremo tribunal federal
- Plano de saúde
- Aposentadoria
- Ausência de alteração lesiva
- Inexistente afronta ao referido dispositivo legal
Ementa
I - AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA DA RECLAMANTE INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI 13.467/2017. 1 –HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PARTE SUCUMBENTE BENEFICIÁRIA DA JUSTIÇA GRATUITA. ART. 791-A, § 4.º, DA CLT. JULGAMENTO DA ADI 5.766/DF PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Demonstrada possível violação do art. 5º, LXXIV, da Constituição Federal, impõe-se o provimento do agravo de instrumento para determinar o processamento do recurso de revista. Agravo de instrumento conhecido e provido. 2 – PLANO DE SAÚDE. APOSENTADORIA. ART. 31 DA LEI Nº 9.656/98. AUSÊNCIA DE ALTERAÇÃO LESIVA. A majoração do valor do plano de saúde após a aposentadoria decorreu da assunção integral do custeio pela reclamante, antes parcialmente suportado pelo empregador, não se configurando alteração unilateral ou lesiva. Nos termos do art. 31 da Lei nº 9.656/98, assegura-se ao aposentado apenas a manutenção do plano nas mesmas condições de cobertura assistencial, desde que assuma o pagamento integral. Inexistente afronta ao referido dispositivo legal. Agravo de instrumento conhecido e não provido. II –RECURSO DE REVISTA DA RECLAMANTE INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI 13.467/2017. 1 –HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. PARTE SUCUMBENTE BENEFICIÁRIA DA JUSTIÇA GRATUITA. ART. 791-A, § 4.º, DA CLT. JULGAMENTO DA ADI 5.766/DF PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL . 1. Cinge-se a controvérsia à condenação da parte beneficiária da Justiça Gratuita ao pagamento de honorários advocatícios. 2. No entender desta Relatora, não seria possível tal condenação, nem mesmo sob condição suspensiva de exigibilidade, porque se trata de norma que desestimula o trabalhador a reivindicar seus direitos, sendo, consequentemente, contrária ao princípio do acesso à Justiça. 3. Todavia, referido dispositivo foi objeto da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade 5.766/DF, a qual foi julgada parcialmente procedente pelo Supremo Tribunal Federal em 20 de outubro de 2021. O Exmo. Ministro Alexandre de Moraes declarou a inconstitucionalidade total do art. 790-B, § 4.º, e parcial dos arts. 790-B, caput , e 791-A, § 4.º, da CLT, em relação aos seguintes trechos: "(...) Em vista do exposto, CONHEÇO da Ação Direta e, no mérito, julgo PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido para declarar a inconstitucionalidade da expressão "ainda que beneficiária da justiça gratuita", constante do caput do art. 790-B ; para declarar a inconstitucionalidade do § 4º do mesmo art. 790-B; declarar a inconstitucionalidade DA EXPRESSÃO "desde que não tenha obtido em juízo, ainda que em outro processo, créditos capazes de suportar a despesa", constante do § 4º do art. 791-A (...)." 4. Assim, a discussão ficou circunscrita à constitucionalidade da compensação das obrigações decorrentes da sucumbência com créditos obtidos em juízo pelo trabalhador hipossuficiente, no mesmo ou em outro processo. 5. À luz do entendimento firmado pela Suprema Corte, com efeito vinculante e eficácia erga omnes , impõe-se reconhecer que os honorários advocatícios devem permanecer sob condição suspensiva de exigibilidade. 6. Nesse contexto, impõe-se a reforma do acórdão de origem, para afastar a possibilidade de dedução dos créditos recebidos nesta ou em outra ação, mantida a condenação sob condição suspensiva de exigibilidade, pelo prazo de dois anos a contar do trânsito em julgado da decisão, cabendo ao credor demonstrar que deixou de existir a situação de hipossuficiência do autor, findo o qual, considerar-se-á extinta a obrigação. Recurso de revista conhecido e parcialmente provido. 2 - CONCESSÃO DA JUSTIÇA GRATUITA. COMPROVAÇÃO DE INSUFICIÊNCIA DE RECURSOS POR SIMPLES DECLARAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 463, I, DO TST. 1 –A decisão regional que indeferiu o benefício da justiça gratuita à reclamante, sob o fundamento de ausência de comprovação objetiva da insuficiência econômica, contraria o entendimento pacificado nesta Corte, segundo o qual basta a declaração de hipossuficiência firmada pela parte ou por seu advogado. Assim, a decisão regional encontra-se em dissonância como entendimento consolidado na Súmula n.º 463, I, do TST. Precedentes. Recurso de revista conhecido e provido.
Decisão
Acordam os Ministros I) por unanimidade, conhecer do agravo de instrumento e, no mérito, dar-lhe provimento quanto ao tema "Honorários advocatícios", por possível violação do art. 5º, LXXIV, da Constituição Federal, determinando-se o processamento do recurso de revista, a consequente reautuação dos autos e a intimação das partes e dos interessados para julgamento, nos termos dos arts. 935 do CPC/2015 e 122 do RITST; II) por unanimidade, conhecer do recurso de revista por violação do art. 5º, LXXIV, da Constituição Federal, e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para adequar o julgado ao posicionamento do Supremo Tribunal Federal, mantendo-se a suspensão da exigibilidade do pagamento de honorários sucumbenciais pelo autor, conforme o art. 791-A, § 4º, da CLT, afastada a compensação com créditos obtidos em juízo, ainda que em processo diverso; III) por unanimidade, conhecer do recurso de revista por contrariedade à Súmula n. 463, I, do TST e, no mérito, dar-lhe provimento para deferir à reclamante os benefícios da justiça gratuita, com a consequente isenção do pagamento das custas processuais.
Indexação
Plano de Saúde; Assistência Judiciária Gratuita; Honorários Advocatícios; Transcendência