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Jurisprudências

STJEDcl no AgRg no AREsp 3.209.738

Dialeticidade recursal: omissão inexistente

Relator(a): Messod Azulay Neto

Ementa

DIREITO PROCESSUAL PENAL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. DIALETICIDADE RECURSAL. SÚMULA N. 7/STJ. OMISSÃO INEXISTENTE. EMBARGOS REJEITADOS.

I. CASO EM EXAME

1. Embargos de declaração opostos contra acórdão que desproveu agravo regimental e manteve o não conhecimento do agravo em recurso especial, em razão da ausência de impugnação específica de todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade e da incidência da Súmula n. 7, STJ, em ação penal com condenação pelo art. 316, caput, c/c art. 71, caput, do Código Penal.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2. A questão em discussão consiste em saber se há omissão no acórdão embargado quanto à tese de inaplicabilidade da Súmula n. 7, STJ e à alegada desnecessidade de revolvimento fático-probatório, bastando a revaloração jurídica dos fatos.

3. A questão em discussão consiste em saber se os embargos de declaração podem ser utilizados para o reexame da matéria já decidida, quando inexistente vício de omissão, contradição, obscuridade ou erro material.

III. RAZÕES DE DECIDIR

4. O acórdão embargado evidenciou, de forma clara e suficiente, o óbice autônomo da Súmula n. 7, STJ ao conhecimento do recurso especial, afastando a alegação de omissão.

5. O princípio da dialeticidade recursal impõe ao recorrente o ônus de impugnar especificamente todos os fundamentos da decisão de inadmissibilidade; mantida a ausência de ataque ao óbice da Súmula n. 7, STJ, subsiste o não conhecimento do agravo em recurso especial (CPC, art. 932, III; RISTJ, art. 253, parágrafo único, I).

6. O julgador não está obrigado a rebater individualmente todos os argumentos das partes, sendo suficiente o enfrentamento das questões relevantes à solução da controvérsia; a ausência de apreciação expressa de fundamentos não essenciais não configura omissão sanável por embargos de declaração.

7. As teses de cerceamento de defesa (art. 402 do CPP) e de ilicitude por quebra da cadeia de custódia (arts. 158, 158-A, § 1º, 158-B e 158-C do CPP) demandam revolvimento do conjunto fático-probatório, vedado pela Súmula n. 7, STJ, não sendo possível superá-la por mera revaloração jurídica.

8. Os embargos de declaração não se prestam ao reexame da matéria já decidida, ausentes vícios aptos a ensejar integração do julgado.

IV. DISPOSITIVO Resultado do Julgamento: Embargos de declaração rejeitados.

Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 932, III; RISTJ, art. 253, parágrafo único, I; CPP, arts. 402, 158, 158-A, § 1º, 158-B e 158-C; CF/1988, art. 105, III, a; STJ, Súmulas n. 7, 83 e 126; STF, Tema n. 946

Jurisprudência relevante citada:STJ, Súmulas n. 7, 83 e 126; STF, Tema n. 946; STJ, EDcl no AgRg no HC 1024755/MG, Quinta Turma, julgado em 14.04.2026.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, rejeitar os embargos. Os Srs. Ministros Maria Marluce Caldas, Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas e Joel Ilan Paciornik votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

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