STJAREsp 2.597.686
Responsabilidade civil por danos morais em internação hospitalar
Relator(a): João Otávio de Noronha
- Direito Civil
- Processo Civil
- Direito Bancário
- Direito Médico e da Saúde
- Responsabilidade civil por danos morais em internação hospitalar
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Ementa
DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL POR DANOS MORAIS EM INTERNAÇÃO HOSPITALAR. NEXO CAUSAL, CERCEAMENTO DE DEFESA, JUROS MORATÓRIOS E QUANTUM INDENIZATÓRIO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL CONHECIDO PARA CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO ESPECIAL E NEGAR-LHE PROVIMENTO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial por inexistência de ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC, por ausência de demonstração de vulneração aos arts. 369, 373, II, e 442 do CPC e aos arts. 186, 407, 884, 927 e 944 do CC, pela vedação ao reexame do conjunto fático-probatório, nos termos da Súmula n. 7 do STJ, e pelo não cabimento de majoração de honorários na fase de admissibilidade.
2. A controvérsia versa sobre ação de responsabilidade civil por danos morais, em que se imputa ao hospital o dever de indenizar pela queda em leito hospitalar com traumatismo craniano que teria contribuído para o óbito do paciente.
3. Na sentença, o Juízo de primeiro grau julgou procedente o pedido e condenou ao pagamento de R$ 20.000,00 para cada autora.
4. A Corte de origem manteve a sentença, afastou o cerceamento de defesa, reconheceu a suficiência da prova pericial quanto ao nexo causal e fixou os juros moratórios desde a citação, em razão da responsabilidade contratual.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
5. Há oito questões em discussão: (i) saber se houve cerceamento de defesa pelo indeferimento de prova oral, em violação ao art. 369 do CPC; (ii) saber se foi inviabilizada a comprovação de fatos impeditivos ou modificativos do direito, em violação ao art. 373, II, do CPC; (iii) saber se a prova testemunhal era admissível e necessária, em violação ao art. 442 do CPC; (iv) saber se o acórdão incorreu em omissão ou ausência de fundamentação, em violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC; (v) saber se não se caracterizou ato ilícito, culpa ou nexo causal, em violação aos arts. 186 e 927 do CC; (vi) saber se o valor dos danos morais é excessivo, em violação aos arts. 884 e 944 do CC; (vii) saber se os juros moratórios incidem apenas a partir do arbitramento, à luz do art. 407 do CC; e (viii) saber se há divergência jurisprudencial quanto ao nexo causal e ao termo inicial dos juros.
III. RAZÕES DE DECIDIR
6. Não há omissão ou deficiência de fundamentação: o acórdão enfrentou o nexo causal, distinguiu o traumatismo das patologias preexistentes e fixou os juros pela natureza contratual, afastando violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC.
7. O indeferimento da prova oral não configura cerceamento, pois a controvérsia técnica foi solucionada por prova pericial; a revisão demanda reexame fático-probatório. Aplica-se a Súmula n. 7 do STJ.
8. O nexo causal foi reconhecido com base técnica e sua alteração também encontra óbice na Súmula n. 7 do STJ.
9. O quantum dos danos morais mostra-se razoável e proporcional, e sua revisão, fora de hipóteses extremas, igualmente esbarra na Súmula n. 7 do STJ.
10. Em responsabilidade contratual, os juros moratórios incidem desde a citação, nos termos do art. 406 do CC, entendimento conforme a jurisprudência; incide a Súmula n. 83 do STJ.
11. A divergência jurisprudencial não foi demonstrada por ausência de cotejo analítico, e o óbice da Súmula n. 7 do STJ impede análise pela alínea c do art. 105, III, da CF.
IV. DISPOSITIVO E TESE
12. Agravo em recurso especial conhecido para conhecer parcialmente do recurso especial e negar-lhe provimento.
Tese de julgamento: "1. Não há violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC quando o Tribunal de origem enfrenta expressamente as questões essenciais do mérito. 2. Aplica-se a Súmula n. 7 do STJ para afastar alegações de cerceamento de defesa e revisão da necessidade de prova oral quando a controvérsia é técnica e solucionada por perícia. 3. Incide a Súmula n. 7 do STJ para manter o reconhecimento do nexo causal firmado em prova técnica. 4. Incide a Súmula n. 7 do STJ para obstar a revisão do quantum indenizatório quando razoável e proporcional. 5. Incide a Súmula n. 83 do STJ para confirmar a fixação dos juros de mora, em responsabilidade contratual, a partir da citação, conforme o art. 406 do CC. 6. A divergência jurisprudencial não é conhecida sem cotejo analítico, e o óbice da Súmula n. 7 do STJ impede sua análise pela alínea c."
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 369, 373, II, 442, 489, § 1º, IV, 1.022, II; CC, arts. 186, 406, 407, 884, 927, 944; CF, art. 105, III, a.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmulas n. 7, 83; STJ, REsp n. 2.205.610/PA, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 1/12/2025; STJ, AREsp n. 2.867.338/AL, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 8/9/2025.
Tese
"1. Não há violação aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022, II, do CPC quando o Tribunal de origem enfrenta expressamente as questões essenciais do mérito. 2. Aplica-se a Súmula n. 7 do STJ para afastar alegações de cerceamento de defesa e revisão da necessidade de prova oral quando a controvérsia é técnica e solucionada por perícia. 3. Incide a Súmula n. 7 do STJ para manter o reconhecimento do nexo causal firmado em prova técnica. 4. Incide a Súmula n. 7 do STJ para obstar a revisão do quantum indenizatório quando razoável e proporcional. 5. Incide a Súmula n. 83 do STJ para confirmar a fixação dos juros de mora, em responsabilidade contratual, a partir da citação, conforme o art. 406 do CC. 6. A divergência jurisprudencial não é conhecida sem cotejo analítico, e o óbice da Súmula n. 7 do STJ impede sua análise pela alínea c."
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 03/03/2026 a 09/03/2026, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso, mas lhe negar provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro João Otávio de Noronha. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Luís Carlos Gambogi (Desembargador Convocado do TJMG) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha.
Indexação
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