STJAREsp 3.110.276
Arbitramento de honorários advocatícios C/C cobrança
Relator(a): João Otávio de Noronha
- Processo Civil
- Direito Civil
- Arbitragem e Mediação
- Arbitramento de honorários advocatícios C/C cobrança
Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ARBITRAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS C/C COBRANÇA. APLICAÇÃO DA TEORIA DA CAUSA MADURA, NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL, CERCEAMENTO DE DEFESA E CONTRATO PRO BONO. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo em recurso especial interposto contra decisão que inadmitiu o recurso especial com óbices fundados na inexistência de negativa de prestação jurisdicional (arts. 489 e 1.022 do CPC), na possibilidade de aplicação da causa madura (art. 1.013, § 4º, do CPC) e na vedação ao reexame de provas (Súmula n. 7 do STJ).
2. A controvérsia envolve ação de arbitramento de honorários advocatícios c/c cobrança, com pedido de honorários contratuais de êxito de 25% sobre precatório recebido, ou arbitramento subsidiário, além de tutela cautelar.
3. Na sentença, o Juízo de primeiro grau acolheu a prescrição e extinguiu o processo com resolução do mérito, nos termos do art. 487, II, do CPC, condenando ao pagamento de custas e honorários de 10% sobre o valor da causa.
4. A Corte de origem reformou a sentença para rejeitar a prescrição, aplicou o art. 1.013, § 4º, do CPC, julgou improcedentes os pedidos iniciais e fixou honorários sucumbenciais de 10% sobre o valor da causa.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
5. Há seis questões em discussão: (i) saber se houve negativa de prestação jurisdicional por omissão, obscuridade e contradição quanto à intempestividade da contestação e efeitos da revelia, autenticidade de documento, causa madura e provas documentais (arts. 489 e 1.022 do CPC); (ii) saber se o julgamento pela causa madura sem nova vista violou os arts. 3º, 7º, 9º, 10, 11 e 1.013, §§ 1º, 2º e 3º, do CPC, por decisão surpresa; (iii) saber se houve cerceamento de defesa quanto à exibição de documentos originais, análise de provas testemunhais e ônus probatório (arts. 369, 371 e 373 do CPC); (iv) saber se é inviável a advocacia pro bono à luz do art. 30, § 1º, do Código de Ética e Disciplina da OAB; (v) saber se houve descaracterização indevida do contrato verbal de honorários de êxito à luz do art. 54, V, do Estatuto da OAB; e (vi) saber se está demonstrado o dissídio jurisprudencial nos termos dos arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, § 1º, do RISTJ.
III. RAZÕES DE DECIDIR
6. Não ocorreu a ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC, pois o Tribunal local enfrentou as questões relevantes de forma clara e suficiente, inexistindo vícios aptos a nulificar o acórdão.
7. Aplica-se a Súmula n. 83 do STJ quanto ao reconhecimento da legitimidade da aplicação da teoria da causa madura após o afastamento da prescrição quando o feito está em condições de imediato julgamento.
8. Incide a Súmula n. 7 do STJ para obstar o reexame de fatos e provas relativamente ao cerceamento de defesa e à caracterização da prestação de serviços pro bono.
9. O recurso especial não comporta análise de ofensa a resolução ou ato normativo infralegal, como o art. 30, § 1º, do Código de Ética e Disciplina da OAB.
10. Incide a Súmula n. 284 do STF quando a fundamentação é deficiente e não demonstra a violação a lei federal quanto ao contrato de êxito.
11. Não há dissídio comprovado por ausência de cópias ou repositório oficial e de cotejo analítico com similitude fática e divergência de interpretação (arts. 1.029, § 1º, do CPC e 255, § 1º, do RISTJ).
IV. DISPOSITIVO E TESE
12. Agravo em recurso especial conhecido para se conhecer em parte do recurso especial e negar-lhe provimento.
Tese de julgamento: "1. Afasta-se a ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC quando o acórdão enfrenta os pontos relevantes e fundamenta de modo suficiente, inexistindo vícios. 2. Aplica-se a Súmula n. 83 do STJ para admitir o julgamento pela causa madura quando o Tribunal afasta a prescrição e o feito está pronto para decisão de mérito. 3. Incide a Súmula n. 7 do STJ para obstar o reexame de fatos e provas relativamente ao cerceamento de defesa e à caracterização da prestação pro bono. 4. O recurso especial não é via adequada para análise de ofensa a resolução ou ato infralegal, como o Código de Ética e Disciplina da OAB. 5. Incide a Súmula n. 284 do STF quando a fundamentação é deficiente e não demonstra a violação a lei federal. 6. Inviável o conhecimento do dissídio sem cotejo analítico e comprovação específica, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC e art. 255, § 1º, do RISTJ."
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 3º, 7º, 9º, 10, 11, 85, § 11, 369, 371, 373, 487, II, 1.013, § 4º, e 1.029, § 1º; RISTJ, art. 255, § 1º; Estatuto da OAB, art. 54, V; Código de Ética e Disciplina da OAB, art. 30, § 1º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmulas n. 7 e 83; STF, Súmula n. 284; STJ, REsp n. 2.166.999/DF, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 20/3/2025; STJ, EDcl no AgInt no REsp n. 1.925.562/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgados em 17/3/2025; STJ, AgInt no REsp n. 2.152.327/MG, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 24/2/2025; STJ, AgInt no AREsp n. 2.296.450/DF, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgado em 28/8/2023; STJ, AREsp n. 2.487.285/SC, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 17/11/2025; STJ, AREsp n. 2.992.448/SP, relatora Ministra Daniela Teixeira, Terceira Turma, julgado em 3/11/2025.
Tese
"1. Afasta-se a ofensa aos arts. 489 e 1.022 do CPC quando o acórdão enfrenta os pontos relevantes e fundamenta de modo suficiente, inexistindo vícios. 2. Aplica-se a Súmula n. 83 do STJ para admitir o julgamento pela causa madura quando o Tribunal afasta a prescrição e o feito está pronto para decisão de mérito. 3. Incide a Súmula n. 7 do STJ para obstar o reexame de fatos e provas relativamente ao cerceamento de defesa e à caracterização da prestação pro bono. 4. O recurso especial não é via adequada para análise de ofensa a resolução ou ato infralegal, como o Código de Ética e Disciplina da OAB. 5. Incide a Súmula n. 284 do STF quando a fundamentação é deficiente e não demonstra a violação a lei federal. 6. Inviável o conhecimento do dissídio sem cotejo analítico e comprovação específica, nos termos do art. 1.029, § 1º, do CPC e art. 255, § 1º, do RISTJ."
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 09/06/2026 a 15/06/2026, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso, mas lhe negar provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro João Otávio de Noronha. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Luís Carlos Gambogi (Desembargador Convocado do TJMG) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha.