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Jurisprudências

TSTROT 0002508-91.2024.5.13.0000

Valor da causa na ação rescisória corrigido de ofício

Relator(a): LUIZ JOSÉ DEZENA DA SILVA

  • Direito do Trabalho
  • Processo Civil
  • Valor da causa na ação rescisória corrigido de ofício
  • Decisão surpresa
  • Nulidade
  • Não caracterização
  • Honorários advocatícios na ação rescisória
  • Majoração

Ementa

RECURSO ORDINÁRIO EM AÇÃO RESCISÓRIA. VALOR DA CAUSA NA AÇÃO RESCISÓRIA CORRIGIDO DE OFÍCIO. DECISÃO SURPRESA. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. 1. Trata-se de Recurso Ordinário em Ação Rescisória interposto pelo autor contra acórdão regional que, julgando procedente o pedido de corte rescisório para desconstituir a sentença homologatória de acordo formalizado na Ação Coletiva subjacente, corrigiu de ofício o valor da causa. 2. Nas razões de Recurso Ordinário, o autor sustenta a nulidade do acórdão regional, ante a caracterização de decisão surpresa consistente na redução de ofício do valor da causa da Ação Rescisória de R$ 33.446,51 para R$ 6.130,10. 3. Ocorre que a atuação de ofício do julgador, para efeito de correção do valor da causa, está apoiada nos parâmetros predefinidos na Instrução Normativa n.º 31 do TST, os quais orientam a formação do valor, inclusive com referência ao índice a ser utilizado para atualização do valor correspondente. Precedente. 4. Nesse contexto, inexiste nulidade a ser declarada, remanescendo ilesos os artigos 9.º, 10 e 493 do CPC. 5. Recurso Ordinário conhecido e não provido. RESTABELECIMENTO DO VALOR DA CAUSA APONTADO NA PETIÇÃO INICIAL DA AÇÃO RESCISÓRIA. 1. No particular, o autor sustenta que o valor dado à causa na petição inicial (R$ 33.446,51) corresponde ao proveito econômico consubstanciado nas parcelas cuja quitação foi afastada pelo Tribunal Regional, razão pela qual, no seu entender, tal valor deve ser restabelecido. 2. Tratando-se de Ação Rescisória proposta com o objetivo de desconstituir decisão homologatória de acordo proferida na fase de conhecimento, o valor da causa coincide com o valor do acordo homologado, devidamente reajustado pela variação cumulada do INPC do IBGE até a data do ajuizamento da Ação Rescisória (artigos 2.º, II, e 4.º da Instrução Normativa n.º 31 do TST). Precedentes. 3. No caso concreto, o valor do acordo homologado, relativamente ao autor, foi de R$ 7.467,86, conforme se extrai da planilha anexa à sentença homologatória do acordo, de modo que, atualizado pelo INPC até o ajuizamento da presente Ação Rescisória (janeiro/2023 a janeiro/2025), resulta o valor de R$ 8.191,24. 4. Recurso Ordinário conhecido e parcialmente provido para fixar o valor da causa em R$ 8.191,24. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS NA AÇÃO RESCISÓRIA. ARTIGO 85, §§ 2.º E 11 DO CPC. MAJORAÇÃO. 1. O Tribunal Regional, após julgar procedente o pedido de corte rescisório e condenar a primeira ré e o segundo réu ao pagamento dos honorários advocatícios, no percentual de 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, registrou ser indevida a cobrança da parcela relativamente à terceira ré. 2. Nos termos do art. 85, § 2.º, do CPC, os honorários devem ser fixados entre o mínimo de dez e o máximo de vinte por cento sobre o valor da condenação, do proveito econômico obtido ou, não sendo possível mensurá-lo, sobre o valor atualizado da causa. 3. No caso concreto, atendidos os requisitos disciplinados no § 2.º do artigo 85 do CPC, bem como o trabalho adicional pela interposição de Recurso Ordinário (artigo 85, § 11, do CPC), impõe-se a majoração dos honorários advocatícios para 15% (quinze por cento) sobre o valor atualizado da causa, não sendo a hipótese de fixação do valor dos honorários advocatícios por apreciação equitativa (artigo 85, § 8.º, do CPC). Precedente. 4. Recurso Ordinário conhecido e parcialmente provido para majorar os honorários advocatícios para 15% sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 85, § 2.º, do CPC. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS NA AÇÃO RESCISÓRIA. PRINCÍPIOS DA SUCUMBÊNCIA E DA CAUSALIDADE. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO. 1. Nos termos do art. 85 do CPC, a sentença condenará o vencido ao pagamento de honorários ao advogado do vencedor, consagrando-se o princípio da sucumbência como critério de distribuição dos ônus sucumbenciais. Com efeito, a responsabilidade pelo pagamento dos honorários decorre diretamente da condição de vencido na relação processual, inexistindo fundamento legal para sua imposição a quem não ostenta tal condição. 2. No caso concreto, verifica-se que a terceira ré (EMLUR), devidamente citada, apresentou contestação, resistindo à pretensão desconstitutiva, sem alegar – em qualquer momento – sua ilegitimidade para figurar no polo passivo da demanda. 3. Portanto, ao atuar na defesa de seus interesses, os quais, na hipótese, ombrearam a manutenção da decisão rescindenda, a terceira ré, ante a procedência do pedido de corte rescisório, forjou a causa da sua responsabilidade pelos honorários sucumbenciais nesta Ação Rescisória. 4. Recurso Ordinário conhecido e provido para condenar solidariamente a terceira ré (EMLUR) ao pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais.

Decisão

Acordam os Ministros à unanimidade, conhecer do Recurso Ordinário e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para fixar o valor da causa em R$ 8.191,24, majorar os honorários advocatícios para 15% sobre o valor atualizado da causa e, quanto à responsabilidade pelo pagamento de honorários advocatícios na Ação Rescisória, dar provimento ao Recurso Ordinário para condenar solidariamente a terceira ré (Autarquia Especial Municipal de Limpeza Urbana ¿ EMLUR) ao pagamento da verba honorária, na forma do artigo 85 do CPC e dos princípios da sucumbência e da causalidade. Brasília, 27 de agosto de 2026. LUIZ JOSÉ DEZENA DA SILVA Ministro Relator

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