STJAgRg no AREsp 2.898.072
Estupro de vulnerável: prequestionamento
Relator(a): Maria Marluce Caldas
- Direito Penal
- Estupro de vulnerável
- Prequestionamento
Ementa
DIREITO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 7/STJ. RECURSO ESPECIAL. NEGADO PROVIMENTO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que conheceu do agravo para não conhecer do recurso especial, mantendo o acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que condenou o agravante por estupro de vulnerável, com base nas palavras das vítimas menores e testemunhas, e afastou a desclassificação para o art. 215-A do Código Penal.
2. O agravante sustenta que houve prequestionamento quanto à tese relativa ao reconhecimento da tentativa e que não incide o óbice da Súmula n. 7/STJ, alegando que as premissas fáticas contidas no acórdão de origem são suficientes para o conhecimento e provimento do recurso especial, sem necessidade de revolvimento do conjunto fático-probatório.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. Há duas questões em discussão: (i) saber se houve prequestionamento, implícito ou fictício, da tese relativa ao reconhecimento da tentativa no acórdão recorrido; e (ii) saber se o recurso especial veicula pretensão que exige reexame do conjunto fático-probatório, atraindo a incidência da Súmula n. 7/STJ.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. O agravo regimental não trouxe novos argumentos capazes de alterar o entendimento firmado na decisão monocrática, limitando-se a reiterar os argumentos do recurso especial, já afastados na decisão recorrida.
5. A tese relativa ao reconhecimento da tentativa não foi objeto de apreciação pelo Tribunal de origem, e o agravante não opôs embargos de declaração para suprir a omissão do acórdão recorrido, o que impede o reconhecimento do prequestionamento implícito ou fictício.
6. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é pacífica no sentido de que o recurso especial não se presta à reapreciação de elementos fático-probatórios, sendo necessário que a controvérsia jurídica possa ser resolvida com base nas premissas fáticas já fixadas pelas instâncias ordinárias, sem necessidade de reexame do conjunto probatório.
7. A pretensão do recorrente de desclassificar a condenação por estupro de vulnerável para a forma tentada implica reanálise das circunstâncias fáticas e das provas testemunhais que fundamentaram a condenação, o que é vedado pela Súmula n. 7/STJ.
8. A decisão das instâncias ordinárias, que considerou os atos libidinosos como configuradores de estupro de vulnerável, é insuscetível de modificação nesta Corte, em razão da soberania das instâncias ordinárias na avaliação dos fatos e provas.
IV. DISPOSITIVO E TESE
9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental não provido.
Tese de julgamento:
Dispositivos relevantes citados:Código Penal, arts. 14, II, e 217-A; Súmula n. 7/STJ.
Jurisprudência relevante citada:STF, Tema RR nº 1121; STJ, Súmula n. 7.
Tese
Dispositivos relevantes citados:Código Penal, arts. 14, II, e 217-A; Súmula n. 7/STJ.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.