Pular para o conteúdo
PortalJUSTIÇA
Jurisprudências

STJAgRg no HC 1.021.106

Reconhecimento fotográfico: princípio da unirrecorribilidade

Relator(a): Ribeiro Dantas

Ementa

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS. RECONHECIMENTO FOTOGRÁFICO. PRINCÍPIO DA UNIRRECORRIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus, em que se alegava flagrante ilegalidade apta a permitir o conhecimento do writ como substitutivo de revisão criminal.

2. O agravante sustenta que o reconhecimento fotográfico realizado no caso não observou as formalidades previstas no art. 226 do Código de Processo Penal, conforme reconhecido pelo Ministério Público.

3. A decisão agravada considerou que a condenação transitou em julgado e que a utilização do habeas corpus configura pretensão revisional, usurpando a competência do Tribunal de origem, nos termos dos arts. 105, inciso I, alínea e, e 108, inciso I, alínea b, da Constituição da República.

4. Foi registrado que contra o acórdão de apelação impugnado já havia sido interposto recurso especial, configurando violação ao princípio da unirrecorribilidade.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

5. A questão em discussão consiste em saber se há flagrante ilegalidade apta a permitir o conhecimento do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal, considerando a alegação de inobservância do art. 226 do Código de Processo Penal no reconhecimento fotográfico e a violação ao princípio da unirrecorribilidade.

III. RAZÕES DE DECIDIR

6. O reconhecimento fotográfico realizado pela vítima foi considerado válido pelo acórdão impugnado, tendo sido feito com segurança e corroborado por outros elementos probatórios idôneos, como documentos encontrados na residência do agravante e análise de extratos telefônicos.

7. A condenação do agravante foi fundamentada em provas independentes e suficientes, produzidas sob o crivo do contraditório e da ampla defesa, não havendo nulidade a ser declarada.

8. A utilização do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal configura indevida subversão do sistema recursal e violação ao princípio da unirrecorribilidade, conforme precedentes jurisprudenciais.

9. Não há flagrante ilegalidade apta a permitir o conhecimento do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal.

IV. DISPOSITIVO E TESE

10. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.

Tese de julgamento:

1. A utilização do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal configura indevida subversão do sistema recursal e violação ao princípio da unirrecorribilidade.

2. A eventual inobservância do rito previsto no art. 226 do Código de Processo Penal não conduz necessariamente à nulidade da condenação, desde que existam outras provas independentes e suficientes para confirmar a autoria delitiva.

Dispositivos relevantes citados:CR/1988, arts. 105, inciso I, alínea "e", e 108, inciso I, alínea "b"; CPP, art. 226.

Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no HC 549.368/SC, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe 19.12.2019; STJ, AgRg no HC 899.454/SP, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 29.08.2024; STJ, AgRg no AR Esp 2.642.552/RJ, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe 09.12.2024; STJ, AgRg nos EDcl no HC 656.845/PR, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 28.11.2022.

Tese

1. A utilização do habeas corpus como substitutivo de revisão criminal configura indevida subversão do sistema recursal e violação ao princípio da unirrecorribilidade.

2. A eventual inobservância do rito previsto no art. 226 do Código de Processo Penal não conduz necessariamente à nulidade da condenação, desde que existam outras provas independentes e suficientes para confirmar a autoria delitiva.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 04/12/2025 a 10/12/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

Cookies e privacidade

Usamos cookies essenciais para o portal funcionar e, se você permitir, o Google Analytics para medir a audiência de forma agregada. Saiba mais na Política de privacidade.