STFRE 1.617.110 AgR
Princípio da colegialidade: responsabilidade civil
Relator(a): Presidente
- Direito do Consumidor
- Direito Constitucional
- Direito Civil
- Princípio da colegialidade
- Responsabilidade civil
- Ausência de falha na prestação do serviço
- Legislação infraconstitucional
- Ofensa reflexa à constituição federal
- Dever de fundamentação
Ementa
Direito do Consumidor. Agravo regimental no recurso extraordinário. Princípio da colegialidade. Decisão monocrática do presidente do STF. Pedido de indenização por danos morais e materiais. Responsabilidade civil. Ausência de falha na prestação do serviço. Reexame de fatos e provas. Súmula 279 do STF. Legislação infraconstitucional. Ofensa reflexa à constituição federal. Dever de fundamentação. Tema 339 da repercussão geral. Aplicação de multa. Recurso não provido.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que negou provimento a recurso extraordinário com agravo, no qual a recorrente sustenta violação ao princípio da colegialidade e aos arts. 5º, XXXII, e 170, V, da Constituição Federal, em razão do afastamento da responsabilidade do SERASA, além de impugnar a incidência das Súmulas 279, 282 e 284/STF e do Tema 660 da repercussão geral.
II. Questão em discussão
2. Há três questões em discussão: (i) definir se a decisão monocrática que nega seguimento ao recurso extraordinário com agravo, com fundamento no art. 13, V, c, do RISTF, viola o princípio da colegialidade; (ii) analisar o preenchimentos dos pressupostos de admissibilidade recursal; e (iii) estabelecer se o acórdão recorrido deixou de enfrentar tese defensiva relevante, em violação ao art. 93, IX, da Constituição Federal.
III. Razões de decidir
3. O art. 13, V, c, do RISTF autoriza o Ministro Presidente a negar seguimento, monocraticamente, a recurso extraordinário manifestamente inadmissível, razão pela qual a adoção dessa providência não viola o princípio da colegialidade.
4. A pretensão de afastar a conclusão do Tribunal de origem de que não ficou comprovada falha da prestação do serviço exige o reexame do conjunto fático-probatório e a reapreciação de legislação infraconstitucional, providências vedadas em recurso extraordinário pela Súmula 279/STF e pela consolidada jurisprudência desta Suprema Corte.
5. A decisão judicial não viola o art. 93, IX, da Constituição Federal quando apresenta fundamentação suficiente, ainda que adote conclusão contrária à pretensão da parte, nos termos do Tema 339 da repercussão geral.
6. A improcedência do agravo regimental, em decisão unânime, autoriza a aplicação de multa de 5% sobre o valor atualizado da causa, ficando a interposição de outro recurso condicionada ao depósito prévio da quantia, ressalvada a hipótese prevista em lei.
IV. Dispositivo
7. Agravo regimental não provido, com aplicação, em caso de decisão unânime, de multa de 5% sobre o valor atualizado da causa, ficando a interposição de qualquer outro recurso condicionada ao depósito prévio da quantia fixada.
Decisão
O Tribunal, por unanimidade, negou provimento ao agravo, com imposição de multa, nos termos do voto do Relator, Ministro Edson Fachin (Presidente). Plenário, Sessão Virtual de 4.9.2026 a 14.9.2026.