TSTRRAg 10449-62.2017.5.15.0039
I –recurso de revista: presença de transcendência jurídica
- Direito do Trabalho
- Direito Civil
- Arbitragem e Mediação
- I –recurso de revista
- Presença de transcendência jurídica
- Prescrição
- Exposição ao amianto
- Prejudicada a análise dos demais temas
- II –agravo de instrumento em recurso de revista
Ementa
RECURSO DE REVISTA COM AGRAVO. I –RECURSO DE REVISTA. PRESENÇA DE TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA. O recurso de revista se viabiliza porque ultrapassa o óbice da transcendência com relação aos reflexos gerais de natureza política, nos termos do artigo 896-A, § 1º, II, da CLT. PRESCRIÇÃO. INDENIZAÇÃO POR DANO EXTRAPATRIMONIAL PELA MERA POSSIBILIDADE DE SE CONTRAIR DOENÇA GRAVE. EXPOSIÇÃO AO AMIANTO. Cinge-se a controvérsia acerca da prescrição aplicável ao pedido de indenização por dano extrapatrimonial decorrente do risco de adoecimento pela exposição ao amianto no curso do contrato de trabalho. São sabidos, por ampla divulgação de matéria científica, os efeitos nocivos causados pela exposição à mencionada substância, o que levou o Supremo Tribunal Federal, em recente sessão do Plenário, ocorrida em 29 de novembro de 2017, no julgamento das Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 3406 e 3470, a declarar a inconstitucionalidade, com efeito vinculante e erga omnes , do art. 2º da Lei 9.055/95, o qual autoriza a extração, industrialização, utilização e comercialização do amianto crisotila (asbesto branco) e dos produtos que o contenham. De outra parte, estudos realizados pelo Ministério da Saúde informam que "os pacientes com história de exposição ao asbesto costumam apresentar um longo período de latência (20-30 anos) entre a exposição e o diagnóstico". Diante desse contexto, peculiar e específico, em que a manifestação da doença se dá anos após o contato com a substância, em momento incerto, deve-se observar para fixação do marco prescricional a data em que o autor teve ciência inequívoca da moléstia que o acomete. Aplicar-se-ia, dessa forma, a mesma diretriz das Súmulas nº 278 do STJ e 230 do STF. Nesse ponto difere o caso dos autos, pois, não tendo havido o adoecimento, não se iniciou o prazo prescricional para pleitear a indenização decorrente dos danos causados pela doença. Assim, em caso de manifestação da doença (ciência da lesão), começará a fluência do prazo prescricional, considerando a actio nata . Desse modo, como a postulação refere-se ao mero risco de adoecimento, fato que também enseja a reparação civil, não há dúvida de que o prazo prescricional começou a fluir no momento em que cessou a exposição ao risco, ou seja, com o término do contrato de trabalho. No caso concreto, o contrato de trabalho mantido entre as partes foi extinto em 30/12/1982 , e a presente reclamatória foi ajuizada somente em 13/02/2017 , pelo que a pretensão reparatória se encontra prescrita. Prejudicada a análise dos demais temas. Recurso de revista conhecido por violação do artigo 7º, XXIX, da CF e provido. II –AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. Em virtude do provimento do recurso de revista, resta prejudicada a análise do agravo de instrumento.
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade, I - conhecer do recurso de revista quanto ao tema "PRESCRIÇÃO - INDENIZAÇÃO POR DANO EXTRAPATRIMONIAL. EXPOSIÇÃO A AMIANTO", por violação do artigo 7º, XXIX, da CF e, no mérito, dar-lhe provimento para declarar prescrita a pretensão relacionada ao pedido de indenização por dano extrapatrimonial. Inverte-se o ônus da sucumbência. Custas pelo autor, das quais fica isento uma vez que agraciado com os benefícios da justiça gratuita. Diante do provimento do recurso de revista do réu, não se há de falar que tenha tentado protelar o feito, devendo ser absolvido da multa pela interposição de embargos de declaração protelatórios. II - Prejudicada a análise dos demais temas do recurso de revista e do agravo de instrumento.
Indexação
Prescrição e Decadência; Negativa de Prestação Jurisdicional; Valor Arbitrado; Multa por ED Protelatórios