TSTRRAg 11925-38.2016.5.15.0115
A) agravo de instrumento em recurso de revista interposto pela reclamada
- Direito do Trabalho
- Direito Civil
- Arbitragem e Mediação
- Quantum alusivo à indenização por dano moral
- Horas in itinere
- Pré-fixação por meio de norma coletiva
- Prevalência do negociado sobre o legislado
- B) recurso de revista interposto pela reclamada
- Supressão / Limitação por Norma Coletiva
Ementa
A) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA RECLAMADA. 1. QUANTUM ALUSIVO À INDENIZAÇÃO POR DANO MORAL. PRECLUSÃO, TRANSCENDÊNCIA NÃO RECONHECIDA. Do que se infere da decisão regional, contra a sentença que condenou a reclamada ao pagamento de indenização por dano moral no montante de R$5.000,00, a ora agravante interpôs recurso ordinário postulando a exclusão da referida indenização, nada alegando acerca do respectivo quantum . Por sua vez, o reclamante, por meio da interposição de recurso ordinário adesivo, postulou a majoração da indenização, tendo o Tribunal a quo negado provimento a ambos os recursos. Dentro deste contexto, o pedido da reclamada formulado nas razões da revista, no sentido de que o valor da indenização deve ser minorado, se encontra precluso, pois não tendo se insurgido nas razões do apelo ordinário contra o valor fixado pela sentença, tem-se pela perda do direito de manifestação no processo, por ausência de realização do respectivo ato processual no momento oportuno. Agravo de instrumento conhecido e não provido. 2. HORAS IN ITINERE . PRÉ-FIXAÇÃO POR MEIO DE NORMA COLETIVA. TEMA 1.046 DO EMENTÁRIO DE REPERCUSSÃO GERAL DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PREVALÊNCIA DO NEGOCIADO SOBRE O LEGISLADO. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA. O agravo de instrumento merece provimento, com consequente processamento do recurso de revista, haja vista que a reclamada logrou demonstrar a configuração de possível ofensa ao art. 7º, XXVI, da CF. Agravo de instrumento conhecido e provido. B) RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA RECLAMADA. HORAS IN ITINERE . PRE-FIXAÇÃO POR MEIO DE NORMA COLETIVA. TEMA 1.046 DO EMENTÁRIO DE REPERCUSSÃO GERAL DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. PREVALÊNCIA DO NEGOCIADO SOBRE O LEGISLADO. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA. 1. O Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária realizada em 2/6/2022, no julgamento do ARE nº 1.121.633, fixou a tese de repercussão geral, relativa ao Tema 1.046 - " Validade da norma coletiva de trabalho que limita ou restringe direito trabalhista não assegurado constitucionalmente " -, de que " São constitucionais os acordos e as convenções coletivos que, ao considerarem a adequação setorial negociada, pactuam limitações ou afastamentos de direitos trabalhistas independentemente da explicitação especificada de vantagens compensatórias, desde que respeitados os direitos absolutamente indisponíveis ". 2. Segundo o entendimento da Suprema Corte, o Constituinte valorizou os acordos e as convenções coletivas de trabalho, de forma enfática, reconhecendo-os, no art. 7º, XXVI, como direito fundamental dos trabalhadores e elevando-os a instrumentos essenciais da relação trabalhista, estabelecendo, contudo, uma margem de atuação para a livre negociação entre empregados e empregadores, de forma a se conceder certa flexibilidade ao acordado, mas garantindo, ao mesmo tempo, direitos considerados essenciais (incisos VI, XIII e XIV do art. 7º). 3. Portanto, a partir do julgamento, pelo STF, do ARE nº 1.121.633, processo paradigma do Tema 1.046 de repercussão geral, a regra geral é a da validade das normas coletivas, ainda que pactuem limitações ou afastamentos de direitos trabalhistas, desde que os temas pactuados não sejam absolutamente indisponíveis. In casu , o direito material postulado –pré-fixação das horas in itinere –não diz respeito a direito indisponível do trabalhador, de modo que é passível de flexibilização. 4. Dessa forma, a decisão regional que não reconheceu a validade da norma coletiva que prevê a pré-fixação das horas in itinere diverge da tese firmada pelo STF em sede de repercussão geral (Tema 1.046) e ofende o art. 7º, XXVI, da CF. Recurso de revista conhecido e provido.
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade: a) conhecer do agravo de instrumento e dar-lhe provimento parcial apenas no tocante ao capítulo alusivo às horas in itinere; b) conhecer do recurso de revista por violação do art. 7°, XXVI, da CF e, no mérito, dar-lhe provimento para reformar o acórdão regional, reconhecer a validade da norma coletiva que dispôs acerca das horas itinerantes e excluir da condenação as horas in itinere deferidas com reflexos. Custas inalteradas. Não são devidos honorários sucumbenciais, na medida em que a reclamatória trabalhista foi ajuizada anteriormente a 11/11/2017 (tema 3, item 7, IRR-341-06.2013.5.04.0011-TST).
Indexação
Supressão / Limitação por Norma Coletiva; Valor Arbitrado