STJAgInt nos EDcl no REsp 1.960.657
Saúde suplementar: psicoterapia
Relator(a): Humberto Martins
- Direito Civil
- Direito do Consumidor
- Direito Médico e da Saúde
- Saúde suplementar
- Psicoterapia
- Transtorno alimentar e depressão crônica
- Limitação quantitativa de sessões
- Rol de procedimentos da ANS
- Natureza de cobertura mínima
Ementa
DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. SAÚDE SUPLEMENTAR. AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER. PSICOTERAPIA. TRANSTORNO ALIMENTAR E DEPRESSÃO CRÔNICA. LIMITAÇÃO QUANTITATIVA DE SESSÕES. ABUSIVIDADE RECONHECIDA. ROL DE PROCEDIMENTOS DA ANS. NATUREZA DE COBERTURA MÍNIMA. PREVALÊNCIA DA PRESCRIÇÃO MÉDICA. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. DECISÃO MANTIDA.
1. Não se configura a negativa de prestação jurisdicional (art. 1.022 do CPC) quando o Tribunal de origem julga integralmente a lide, ainda que de forma contrária aos interesses da parte, apresentando fundamentação suficiente para embasar o convencimento.
2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidou o entendimento de que é abusiva a cláusula contratual que estabelece limitação quantitativa ao número de sessões de psicoterapia ou terapias multidisciplinares para o tratamento de doenças cobertas pelo plano de saúde. 3. Embora a operadora possa delimitar as patologias cobertas, não lhe é permitido restringir os meios terapêuticos ou a quantidade de sessões indicadas pelo médico assistente, sob pena de esvaziar o objeto precípuo do contrato e violar a boa-fé objetiva (art. 51, IV, do CDC).
4. O Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde da ANS estabelece apenas a cobertura assistencial mínima obrigatória, não servindo como teto para a interrupção de tratamentos indispensáveis, entendimento reforçado pela superveniência da Lei n. 14.454/2022 e da RN n. 541/2022. Agravo interno improvido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da TERCEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 24/03/2026 a 30/03/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Ricardo Villas Bôas Cueva, Moura Ribeiro, Daniela Teixeira e Nancy Andrighi votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Humberto Martins.