TSTAg-Emb-Ag-AIRR 11789-32.2015.5.15.0097
Multa do artigo 1.021, § 4º, do CPC de 2015 aplicada pela turma no julgamento do agravo interno
- Processo Civil
- Direito do Trabalho
- Arbitragem e Mediação
- Desnecessidade de recolhimento prévio
- Inexistência de deserção
- Divergência jurisprudencial não demonstrada na petição de embargos
- Intervalo Intrajornada
- Turno Ininterrupto de Revezamento
- Base de Cálculo
Ementa
AGRAVO CONTRA DECISÃO DE PRESIDENTE DE TURMA DENEGATÓRIA DE SEGUIMENTO DE EMBARGOS INTERPOSTOS NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. MULTA DO ARTIGO 1.021, § 4º, DO CPC DE 2015 APLICADA PELA TURMA NO JULGAMENTO DO AGRAVO INTERNO. RECURSO DE EMBARGOS INTERPOSTO APENAS EM FACE DA REFERIDA MULTA. DESNECESSIDADE DE RECOLHIMENTO PRÉVIO. INEXISTÊNCIA DE DESERÇÃO. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO DEMONSTRADA NA PETIÇÃO DE EMBARGOS. A Turma, ao examinar o agravo interposto pela reclamada, negou-lhe provimento, ante a falta de dialeticidade recursal, nos termos da Súmula nº 422, item I, do TST, e aplicou a multa prevista no artigo 1.021, § 4º, do CPC. A reclamada interpôs embargos a esta Subseção, momento em que a Presidência da Sexta Turma, diante da ausência de recolhimento da multa em questão, reconheceu a deserção e inadmitiu o recurso. Com efeito, por expressa determinação legal, a interposição dos embargos está condicionada ao recolhimento prévio da multa do artigo 1.021, § 4º, do CPC/2015. Essa obrigatoriedade está prevista, ainda, na Orientação Jurisprudencial nº 389 da SbDI-1 do Tribunal Superior do Trabalho, segundo a qual " constitui ônus da parte recorrente, sob pena de deserção, depositar previamente a multa aplicada com fundamento nos §§ 4º e 5º, do art. 1.021, do CPC de 2015 (§ 2º do art. 557 do CPC de 1973) ". É importante salientar que esta Subseção, no julgamento do Ag-E-Ag-RR-20016-52.2013.5.04.001, debruçou-se sobre a controvérsia a respeito da necessidade ou não de liquidação da multa do art. 1.021, § 4º, do CPC. Contudo, na ocasião, não houve fixação de tese, em razão de empate na votação. Ocorre que o debate evoluiu nesta Subseção e, no julgamento do Ag-E-Ag-AIRR-10569-87.2015.5.03.0014, firmou-se a compreensão de que quando o recurso de embargos estiver discutindo apenas a aplicação da referida multa é desnecessário o seu recolhimento prévio, estando afastada a incidência da Orientação Jurisprudencial nº 389 da SbDI-1 do TST. No caso dos autos, o único tema objeto dos embargos é o cabimento da multa do artigo 1.021, § 4º, do CPC/2015, aplicada pela Turma no julgamento do agravo interno da reclamada, o que, à luz do precedente desta Subseção acima citado, afasta a deserção reconhecida no despacho que inadmitiu o recurso, ante a desnecessidade de recolhimento prévio da multa. Não obstante, a divergência jurisprudencial invocada pela reclamada na petição de embargos em relação à referida multa não está demonstrada, uma vez que os arestos colacionados se revelam inespecíficos, na medida em que não registram a circunstância de ausência de dialeticidade recursal como fundamento para a imposição da multa do art. 1.021, § 4º, do CPC, como ocorreu neste caso, o que atrai a incidência da Súmula nº 296, item I, do Tribunal Superior do Trabalho. Ante o exposto, deve ser mantida a decisão agravada, por fundamento diverso. Agravo desprovido .
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade, negar provimento ao agravo.
Indexação
Intervalo Intrajornada; Turno Ininterrupto de Revezamento; Base de Cálculo; Doença Ocupacional; Valor Arbitrado; Multa por ED Protelatórios