TSTRRAg 0100299-28.2022.5.01.0206
A) agravo de instrumento em recurso de revista pelo primeiro reclamado (hospital mahatma gandhi)
Relator(a): DORA MARIA DA COSTA
- Direito do Trabalho
- Direito Civil
- Direito Administrativo
- Direito Médico e da Saúde
- Preliminar de deserção arguida em contraminuta
- Não comprovação da condição de entidade filantrópica
- Ausência de recolhimento do depósito recursal
- E não de entidade filantrópica
- O que não o dispensa do recolhimento do depósito recursal
- B) recurso de revista do segundo reclamado (estado do rio de janeiro)
Ementa
A) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA PELO PRIMEIRO RECLAMADO (HOSPITAL MAHATMA GANDHI). PRELIMINAR DE DESERÇÃO ARGUIDA EM CONTRAMINUTA. NÃO COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO DE ENTIDADE FILANTRÓPICA. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO DEPÓSITO RECURSAL. No ato da interposição do seu recurso de revista, o primeiro reclamado deixou de recolher o depósito recursal, alegando sua condição de entidade filantrópica. Por sua vez, o acórdão regional considerou comprovada a sua condição de entidade beneficente de assistência social, porque devidamente certificada pelo Ministério da Saúde, dispensando-o do recolhimento do depósito recursal. No entanto, verifica-se que o primeiro reclamado não comprovou o seu enquadramento na exceção do §10º do artigo 899 da CLT, pois o documento CEBAS atesta apenas a sua condição de entidade beneficente - e não de entidade filantrópica - o que não o dispensa do recolhimento do depósito recursal. Com efeito, a jurisprudência desta Corte Superior se posiciona no sentido de que a condição de entidade filantrópica exige comprovação para fins da isenção do depósito recursal prevista no art. 899, § 10, da CLT e de que o documento CEBAS, por si só, comprova apenas a condição de entidade beneficente. Precedentes. Agravo de instrumento não conhecido. B) RECURSO DE REVISTA DO SEGUNDO RECLAMADO (ESTADO DO RIO DE JANEIRO). RESPONSABILIZAÇÃO SUBSIDIÁRIA. ENTE INTEGRANTE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. FISCALIZAÇÃO DO CONTRATO POR PARTE DO TOMADOR DOS SERVIÇOS. ÔNUS DA PROVA. TEMA 1.118 DA TABELA DE REPERCUSSÃO GERAL. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA. 1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento da ADC nº 16, declarou a constitucionalidade do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93 e, posteriormente, reconheceu a existência de repercussão geral (Tema 246) da questão constitucional suscitada no Recurso Extraordinário nº 760.931, referente à responsabilidade dos entes integrantes da Administração Pública em caso de terceirização, fixando a tese de que “o inadimplemento dos encargos trabalhistas dos empregados do contratado não transfere automaticamente ao Poder Público contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em caráter solidário ou subsidiário, nos termos do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93”. 2. Já nos autos do RE-1.298.647, a Suprema Corte reconheceu a existência de repercussão geral (Tema 1.118) da questão constitucional relativa ao ônus da prova acerca de eventual conduta culposa na fiscalização das obrigações trabalhistas de prestadora de serviços, para fins de responsabilização subsidiária da Administração Pública, fixando a tese jurídica de que “1. Não há responsabilidade subsidiária da Administração Pública por encargos trabalhistas gerados pelo inadimplemento de empresa prestadora de serviços contratada, se amparada exclusivamente na premissa da inversão do ônus da prova, remanescendo imprescindível a comprovação, pela parte autora, da efetiva existência de comportamento negligente ou nexo de causalidade entre o dano por ela invocado e a conduta comissiva ou omissiva do poder público. (...)”. 3. In casu, o Regional manteve a responsabilidade subsidiária atribuída ao ente público pelos encargos trabalhistas com amparo na premissa da inversão do ônus da prova, razão pela qual a revista logra êxito para extirpar a responsabilização subsidiária atribuída ao recorrente. Recurso de revista conhecido e provido.
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade: a) não conhecer do agravo de instrumento do primeiro reclamado ¿ Hospital Mahatma Mandhi; e b) conhecer do recurso de revista, por violação do art. 71, § 1º, da Lei nº 8.666/93, e, no mérito, dar-lhe provimento para reformar o acórdão regional e extirpar a responsabilidade subsidiária que foi atribuída ao Estado recorrente, com sua consequente exclusão do polo passivo da demanda. Prejudicado o exame do agravo de instrumento interposto pelo Estado do Rio de Janeiro. Brasília, 13 de agosto de 2025.. Dora Maria da Costa Ministra Relatora