STJAgRg no AREsp 3.073.261
Sonegação de contribuição previdenciária: responsabilização penal de sócio-administrador
Relator(a): Ribeiro Dantas
- Direito Penal
- Processo Penal
- Direito Previdenciário
- Sonegação de contribuição previdenciária
- Responsabilização penal de sócio-administrador
- Ausência de comprovação da autoria
- Vedação à responsabilidade penal objetiva
Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. SONEGAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIZAÇÃO PENAL DE SÓCIO-ADMINISTRADOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA AUTORIA. VEDAÇÃO À RESPONSABILIDADE PENAL OBJETIVA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto pelo órgão acusatório contra decisão monocrática que deu provimento ao recurso especial defensivo e absolveu o acusado.
2. Fato relevante. Condenação nas instâncias ordinárias pautada exclusivamente na posição societária de sócio-administrador, sem descrição de conduta específica ou comprovação de autoria.
3. As decisões anteriores. Decisão monocrática deste relator reconheceu a ausência de demonstração da autoria, rechaçou a responsabilização objetiva e absolveu o acusado.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. A questão em discussão consiste em saber se a condição de sócio-administrador, sem comprovação de condutas por ele praticadas, é suficiente para sustentar condenação por sonegação de contribuição previdenciária.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. O status societário é fato atípico e não autoriza a presunção de autoria delitiva; impõe-se a individualização e comprovação de condutas típicas praticadas pelo acusado, vedada a responsabilização penal objetiva.
6. A análise realizada consubstancia simples revaloração de fatos incontroversos expressamente delineados nas decisões originárias, não implicando reexame de prova, afastada a incidência da Súmula 7/STJ.
7. Mantém-se a decisão agravada que absolveu o acusado por ausência de prova válida de autoria, uma vez que a condenação se apoiou apenas na condição de sócio-administrador.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.
Tese de julgamento:
1. O status societário do acusado não autoriza a presunção de autoria delitiva.
2. É possível a revaloração de fatos incontroversos, sem reexame de prova, para corrigir a subsunção jurídica, não incidindo a Súmula 7/STJ.
Dispositivos relevantes citados:CP, art. 337-A; Súmula 7/STJ
Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no AREsp 1.940.726/RO, Quinta Turma, j. 06.09.2022, DJe 04.10.2022; STJ, AgRg no REsp 1.874.619/PE, Sexta Turma, j. 24.11.2020, DJe 02.12.2020; STF, AP 516, Tribunal Pleno, j. 27.09.2010, DJe 06.12.2010; STJ, HC 135.426/SP, DJe 18.04.2013; STJ, AgRg no REsp 1.880.036/PR, Quinta Turma, j. 09.12.2020, DJe 14.12.2020
Tese
1. O status societário do acusado não autoriza a presunção de autoria delitiva.
2. É possível a revaloração de fatos incontroversos, sem reexame de prova, para corrigir a subsunção jurídica, não incidindo a Súmula 7/STJ.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.