STJAgRg no REsp 2.098.332
Telecomunicações: atividade clandestina (art. 183 da lei n. 9.472/1997)
Relator(a): Rogerio Schietti Cruz
- Direito Penal
- Regulatório e Energia
- Telecomunicações
- Atividade clandestina (art. 183 da lei n. 9.472/1997)
- Dolo
- Ciência da ilicitude reconhecida pelas instâncias de origem
- Distinção (distinguishing) em relação ao agrg no aresp n. 1.887.720/SP
Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PENAL. TELECOMUNICAÇÕES. ATIVIDADE CLANDESTINA (ART. 183 DA LEI N. 9.472/1997). DOLO. CIÊNCIA DA ILICITUDE RECONHECIDA PELAS INSTÂNCIAS DE ORIGEM. DISTINÇÃO (DISTINGUISHING) EM RELAÇÃO AO AGRG NO ARESP N. 1.887.720/SP. SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. A defesa pleiteia a aplicação do entendimento firmado no AgRg no AREsp n. 1.887.720/SP, no qual esta Sexta Turma restabeleceu sentença absolutória por considerar verossímil a tese de erro de proibição em caso de rádio comunitária gospel.
2. Hipótese em que, diferentemente do paradigma, no qual o Juízo sentenciante reconheceu dúvida razoável sobre o dolo, as instâncias ordinárias concluíram, de forma positiva e com base em elementos concretos (interrogatório e prova testemunhal), que o acusado tinha plena ciência da ilicitude de sua conduta e optou por operar a rádio à margem do sistema legal.
3. A intenção de "regularizar" a estação por vias políticas, manifestada pelo recorrente, não afasta o dolo; ao revés, corrobora o conhecimento de que a atividade desempenhada sem a devida outorga era proibida. A distinção entre irregularidade administrativa e ilícito penal não socorre quem, ciente da ausência de autorização estatal, persiste no desenvolvimento da atividade clandestina.
4. Para desconstituir a conclusão do Tribunal de origem de que o réu agiu com dolo e afastar a condenação, seria imprescindível o revolvimento do acervo fático-probatório dos autos, providência vedada em recurso especial, nos termos da Súmula n. 7 do STJ.
5. A classificação do delito como formal e de perigo abstrato fundamentou a tipicidade objetiva e a desnecessidade de perícia técnica para aferição de potência, não tendo sido utilizada para presumir a culpabilidade, a qual foi aferida autonomamente a partir da prova oral colhida.
6. Agravo regimental não provido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 05/03/2026 a 11/03/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Antonio Saldanha Palheiro, Carlos Pires Brandão, Og Fernandes e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.