STJAgRg no AREsp 3.289.227
Impugnação específica: decisão de inadmissão incindível
Relator(a): Maria Marluce Caldas
- Processo Penal
- Direito Penal
- Impugnação específica
- Decisão de inadmissão incindível
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. SÚMULA 7/STJ. DECISÃO DE INADMISSÃO INCINDÍVEL. AGRAVO DESPROVIDO.
I. Caso em exame
1. O recurso. Agravo interno interposto contra decisão monocrática que não conheceu do Agravo em Recurso Especial, por ausência de impugnação específica ao óbice da Súmula 7/STJ constante da decisão que inadmitiu o Recurso Especial na origem.
2. Fato relevante. O agravante sustenta ter impugnado especificamente o fundamento da Súmula 7/STJ em tópico próprio do recurso, afirmando tratar-se de matéria exclusivamente de direito e de revaloração de fatos incontroversos.
3. Manifestação. Contraminuta apresentada; Ministério Público Federal pelo desprovimento do agravo.
II. Questão em discussão
4. Há duas questões em discussão: (i) saber se houve impugnação específica e integral ao fundamento de inadmissão do Recurso Especial, consubstanciado na Súmula 7/STJ; e (ii) saber se a controvérsia invocada pelo agravante possui natureza exclusivamente jurídica, apta a afastar a incidência da Súmula 7/STJ.
III. Razões de decidir
5. A decisão de inadmissibilidade do Recurso Especial foi fundada, de forma exclusiva, na Súmula 7/STJ, impondo à parte o ônus de impugnar especificamente tal fundamento, nos termos do art. 932, III, do CPC e do art. 253, parágrafo único, I, do RISTJ. A mera afirmação genérica de que a matéria seria de direito não constitui enfrentamento concreto e pormenorizado do óbice aplicado.
6. A decisão que inadmite o Recurso Especial é incindível e deve ser impugnada em sua integralidade; alegações genéricas ou dirigidas ao mérito não suprem a exigência de impugnação específica, atraindo, por analogia, a Súmula 182/STJ (precedente da Corte Especial).
7. A insurgência veiculada no Recurso Especial, relativa à nulidade do reconhecimento fotográfico realizado na fase policial, demanda análise das circunstâncias fáticas do reconhecimento e avaliação da credibilidade dos elementos de prova, providências vedadas em sede de Recurso Especial pela Súmula 7/STJ.
8. A conclusão sobre a validade do reconhecimento à luz do art. 226 do CPP depende da verificação de como os fatos se deram, o que evidencia a necessidade de reexame do conjunto fático-probatório, insuscetível na via eleita.
IV. Dispositivo e tese
9. Agravo interno desprovido.
Tese de julgamento:
1. A parte deve impugnar especificamente e integralmente o fundamento da decisão que inadmite o Recurso Especial, sob pena de incidência, por analogia, da Súmula 182/STJ. 2. A alegação genérica de que a controvérsia é exclusivamente jurídica não basta para afastar o óbice da Súmula 7/STJ quando o exame demanda reavaliação de fatos e provas. 3. A análise da validade do reconhecimento fotográfico à luz do art. 226 do CPP demanda exame do conjunto fático-probatório, o que atrai a incidência da Súmula 7/STJ em Recurso Especial.
Dispositivos relevantes citados: CPC, art. 932, III; RISTJ, art. 253, parágrafo único, I; CPP, art. 226
Jurisprudência relevante citada: STJ, Súmula 7; STJ, Súmula 182; STJ, EAREsp 746.775/PR, Corte Especial, DJe 30.11.2018
Tese
1. A parte deve impugnar especificamente e integralmente o fundamento da decisão que inadmite o Recurso Especial, sob pena de incidência, por analogia, da Súmula 182/STJ. 2. A alegação genérica de que a controvérsia é exclusivamente jurídica não basta para afastar o óbice da Súmula 7/STJ quando o exame demanda reavaliação de fatos e provas. 3. A análise da validade do reconhecimento fotográfico à luz do art. 226 do CPP demanda exame do conjunto fático-probatório, o que atrai a incidência da Súmula 7/STJ em Recurso Especial.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.