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Jurisprudências

TSTRR 25192-93.2018.5.24.0006

Honorários sucumbenciais: sucumbência recíproca

  • Direito do Trabalho
  • Processo Civil
  • Honorários sucumbenciais
  • Sucumbência recíproca
  • Beneficiário da justiça gratuita
  • Verifica-se a transcendência política da causa
  • Diferença de comissões
  • Verifica-se, portanto, a transcendência política da causa

Ementa

RECURSO DE REVISTA. LEI Nº 13.467/2017. HONORÁRIOS SUCUMBENCIAIS. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. BENEFICIÁRIO DA JUSTIÇA GRATUITA. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA. Cinge-se a controvérsia a respeito da possibilidade de condenação do reclamante ao pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais e de sua compensação com os créditos obtidos pelo reclamante em juízo, no próprio processo ou em outro. A Corte Regional concluiu que são devidos honorários advocatícios sucumbenciais pelo beneficiário da justiça gratuita e determinou a sua compensação com os créditos obtidos pelo reclamante neste processo. No julgamento da ADI 5766, o Supremo Tribunal Federal concluiu que deve ser aplicado o art. 791-A, § 4º, da CLT nos seguintes termos: " Vencido o beneficiário da justiça gratuita, [...] as obrigações decorrentes de sua sucumbência ficarão sob condição suspensiva de exigibilidade e somente poderão ser executadas se, nos dois anos subsequentes ao trânsito em julgado da decisão que as certificou, o credor demonstrar que deixou de existir a situação de insuficiência de recursos que justificou a concessão de gratuidade, extinguindo-se, passado esse prazo, tais obrigações do beneficiário ". Em conformidade com o decidido pelo STF, os honorários sucumbenciais são devidos ainda que o autor seja beneficiário da justiça gratuita, ficando sob condição suspensiva de exigibilidade, e mesmo que tenho obtido em juízo créditos capazes de suportar a despesa. Dessa forma, a decisão recorrida está em dissonância com o decidido pelo STF e também pela jurisprudência pacífica desta Corte Superior. Verifica-se a transcendência política da causa. Recurso de revista conhecido e parcialmente provido. DIFERENÇA DE COMISSÕES. INCIDÊNCIA, NO CÁLCULO DAS COMISSÕES, DOS JUROS E ENCARGOS FINANCEIROS DECORRENTES DAS VENDAS A PRAZO. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA RECONHECIDA. Cinge-se a controvérsia a respeito da incidência, no cálculo de comissões, dos juros e encargos financeiros decorrentes das vendas a prazo. A Corte Regional concluiu que não são devidas as diferenças de comissões decorrentes dos encargos de crédito de vendas parceladas ou financiadas de bens. A jurisprudência pacífica nesta Corte Superior é de que devem ser considerados no cálculo das comissões os juros e os encargos incidentes sobre as vendas a prazo, exceto quando houver previsão expressa em sentido contrário, uma vez que não o art. 2º da Lei 3.207/1957 não faz distinção entre o preço da venda à vista e o preço da venda a prazo. Dessa forma, a decisão recorrida está em dissonância com o entendimento pacificado nesta Corte Superior. Verifica-se, portanto, a transcendência política da causa. Recurso de revista conhecido e provido.

Decisão

Acordam os Ministros por unanimidade:I - reconhecer a transcendência política quanto ao tema "Honorários Sucumbenciais. Sucumbência Recíproca. Beneficiário Da Justiça Gratuita.";II - conhecer do recurso de revista por violação do art. 5º, LXXIV, da CF/88 e, no mérito, dar-lhe parcial provimento para manter a condenação do reclamante ao pagamento de honorários advocatícios sucumbenciais no percentual de 5% sobre o valor líquido dos pedidos rejeitados, sendo vedada a sua compensação com os créditos obtidos em juízo, neste ou em outros processos;III - reconhecer a transcendência política quanto ao tema "Diferença De Comissões. Incidência, No Cálculo Das Comissões, Dos Juros E Encargos Financeiros Decorrentes Das Vendas A Prazo.";IV - conhecer do recurso de revista por violação do art. 2º da Lei nº 3.207/57 e, no mérito, dar-lhe provimento para condenar a reclamada ao pagamento das diferenças de comissões incidentes sobre os encargos financeiros sobre vendas parceladas, a serem apuradas em liquidação de sentença. Valor da condenação majorado em R$ 60.000,00, com custas acrescidas em R$ 1.200,00.

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