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Jurisprudências

STJAgRg no AREsp 2.628.508

Organização criminosa e estelionatos: mircrofilmagens de cheques requisitados pela própria vítima

Relator(a): Rogerio Schietti Cruz

  • Direito Penal
  • Direito Empresarial
  • Organização criminosa e estelionatos
  • Mircrofilmagens de cheques requisitados pela própria vítima
  • Representação da vítima
  • Ausência de ilegalidade
  • Organização criminosa
  • Atipicidade

Ementa

PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA E ESTELIONATOS. MIRCROFILMAGENS DE CHEQUES REQUISITADOS PELA PRÓPRIA VÍTIMA. REPRESENTAÇÃO DA VÍTIMA. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. ATIPICIDADE. SÚMULA N. 7 DO STJ. ATENUANTE DA CONFISSÃO ESPONTÂNEA. CRIME NÃO ADMITIDO PELO RÉU. CONTINUIDADE DELITIVA. AFASTAMENTO. NÃO POSSIBILIDADE. PRETENSÃO ABSOLUTÓRIA. SÚMULA N. 7 DO STJ. REGIME INICIAL FECHADO. VETORIAL DESFAVORÁVEL. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA . AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.

1. Não há ilegalidade quando a própria vítima abre mão de seu sigilo bancário na circunstância de se investigarem, por tais meios, crimes praticados contra ela. O acórdão consignou que "a própria titular do direito demonstrou a sua intenção de obter as referidas imagens, pois interessava a ela a melhor apuração dos fatos que a vitimaram" (fl. 3.614). Portanto, não caberia ao acusado pleitear formalidade que somente à parte contrária interesse (art. 565 do CPP).

2. No tocante à representação da vítima, o julgado estabeleceu ser "inequívoca a vontade da vítima em ver processados os autores do crime, já que, além de comparecer à Delegacia Policial, ela se demonstrou bastante colaborativa com as investigações policiais, apresentando, inclusive, uma cópia de microfilmagem de um dos cheques indevidamente descontados (fls. 342-343) e, mais adiante, ela compareceu em juízo para novamente prestar as suas declarações" (fls. 2.606-2.607).

3. No julgamento dos embargos de declaração, acrescentou: "ainda que se desconsidere a representação da vítima [s], não se deve olvidar que o representante da instituição financeira ofereceu representação em relação a todos os crimes ora apurados" (fl. 3.779).

4. A instituição bancária também ostenta a condição de vítima, seja porque foi obrigada a ressarcir os prejuízos causados aos correntistas, seja porque a fraude se valeu de sua estrutura e serviços disponibilizados aos seus clientes.

5. A análise da pretensão absolutória pelo crime de organização criminosa, baseada em inexistência de estabilidade e permanência, implicaria necessário reexame de fatos e provas, vedado, em recurso especial, segundo o disposto na Súmula n. 7 do STJ. Além disso, o acórdão estabeleceu que o réu praticou oito estelionatos contra a vítima[s] e não apenas uma ação, conforme defendido pela defesa.

6. A instância antecedente asseverou que o agravante não admitiu a prática da organização criminosa e assim afastou a aplicação da atenuante quanto ao crime do art. 2º da Lei n. 12.850/2013. Portanto, não é cabível a atenuante da confissão espontânea para esse crime.

7. Impossível o afastamento da continuidade delitiva, pois, o que se pretende, em verdade, é a absolvição da prática de sete outros estelionatos contra a vítima "S" e não eventual reconhecimento de crime único, porquanto a necessidade de reexame de fatos e provas não é permitido, conforme o entendimento da Súmula n. 7 do STJ.

8. O regime inicial fechado foi estabelecido também com base na existência de vetorial desfavorável - no caso, os antecedentes -, circunstância que justifica, de forma idônea, o regime inicial mais gravoso.

9. Agravo regimental não provido.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Antonio Saldanha Palheiro, Carlos Pires Brandão, Og Fernandes e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator.

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