STJAgRg no HC 1.079.878
Associação para o tráfico: estabilidade e permanência
Relator(a): Joel Ilan Paciornik
- Processo Penal
- Direito Penal
- Associação para o tráfico
- Estabilidade e permanência
- Tráfico privilegiado
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ASSOCIAÇÃO PARA O TRÁFICO. ESTABILIDADE E PERMANÊNCIA. TRÁFICO PRIVILEGIADO. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto contra decisão que conheceu de habeas corpus, no qual a Agravante sustenta ilegalidade na condenação pelo art. 35 da Lei 11.343/2006 por ausência de demonstração concreta de estabilidade e permanência do vínculo associativo, e requer o reconhecimento da causa especial de diminuição de pena do art. 33, § 4º, da mesma lei.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) saber se, na via estreita do habeas corpus e de seu agravo regimental, é possível reavaliar o conjunto fático-probatório para afastar a condenação pelo crime de associação para o tráfico, sob o argumento de inexistência de demonstração concreta dos requisitos de estabilidade e permanência; e (ii) saber se a concomitante condenação pelo art. 35 da Lei 11.343/2006 impede o reconhecimento da causa especial de diminuição de pena do art. 33, § 4º, do mesmo diploma legal.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. As instâncias ordinárias concluíram, com base em elementos concretos dos autos, pela suficiência do acervo probatório para evidenciar a estabilidade e a permanência da associação criminosa; a pretensão de desconstituir tal conclusão demanda revolvimento do conjunto fático-probatório, providência incompatível com o habeas corpus e, por consequência, com o agravo regimental.
4. Mantida a condenação pelo art. 35 da Lei 11.343/2006, está afastada a incidência da causa especial de diminuição de pena do art. 33, § 4º, por revelar dedicação a atividades criminosas e/ou integração a organização criminosa.
5. Inexistência de ilegalidade apta a justificar a reforma da decisão agravada, que deve ser mantida por seus próprios fundamentos.
IV. DISPOSITIVO E TESE
6. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.
Tese de julgamento:
1. É inviável, em habeas corpus e em seu agravo regimental, revolver o conjunto fático-probatório para afastar a condenação pelo art. 35 da Lei 11.343/2006 sob alegação de ausência de estabilidade e permanência. 2. A condenação simultânea pelo art. 35 da Lei 11.343/2006 impede o reconhecimento da causa especial de diminuição de pena do art. 33, § 4º, da Lei de Drogas.
Dispositivos relevantes citados:Lei 11.343/2006, art. 35; Lei 11.343/2006, art. 33, caput; Lei 11.343/2006, art. 33, § 4º.
Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no HC 1.073.139/RJ, Quinta Turma, j. 22.04.2026, DJEN 29.04.2026; STJ, AgRg no HC 1.056.021/RJ, Sexta Turma, j. 22.04.2026, DJEN 27.04.2026; STJ, AgRg no AREsp 2.564.714/BA, Quinta Turma, j. 19.08.2025, DJEN 27.08.2025.
Tese
1. É inviável, em habeas corpus e em seu agravo regimental, revolver o conjunto fático-probatório para afastar a condenação pelo art. 35 da Lei 11.343/2006 sob alegação de ausência de estabilidade e permanência. 2. A condenação simultânea pelo art. 35 da Lei 11.343/2006 impede o reconhecimento da causa especial de diminuição de pena do art. 33, § 4º, da Lei de Drogas.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 27/08/2026 a 02/09/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas, Reynaldo Soares da Fonseca e Ribeiro Dantas votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.