STFRE 1.605.651 AgR
Taxa de Licença para Localização e Funcionamento (TLL)
Relator(a): André Mendonça
- Direito Tributário
- Direito Constitucional
- Taxa de Licença para Localização e Funcionamento (TLL)
- Atividade de advocacia
- Baixo risco
- Poder de polícia municipal
- Tribunal de origem que entendeu pela existência do fato gerador
- Legislação infraconstitucional local
Ementa
Direito Tributário. Agravo Regimental no Recurso Extraordinário. Taxa de Licença para Localização e Funcionamento (TLL). Atividade de advocacia. Baixo risco. Poder de polícia municipal. Tribunal de origem que entendeu pela existência do fato gerador. Reexame de fatos e provas. Legislação infraconstitucional local. Agravo regimental não provido.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão pela qual se negou seguimento a recurso extraordinário.
2. O recurso extraordinário foi interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, que manteve a cobrança da Taxa de Licença para Localização e Funcionamento (TLLF) para o exercício da atividade de advocacia, classificada como de baixo risco.
3. A parte recorrente busca obstar a cobrança da taxa, alegando que a Lei de Liberdade Econômica (Lei nº 13.874, de 2019) classifica os serviços advocatícios como de baixo risco, dispensando a necessidade de alvará e, consequentemente, a cobrança da taxa.
II. Questão em discussão
4. Há três questões em discussão: (i) saber se no acórdão recorrido violou-se o art. 93, inc. IX, da Constituição por ausência de fundamentação; (ii) saber se o acórdão está em conformidade com a jurisprudência desta Suprema Corte; e (iii) saber se a análise da controvérsia demandaria reexame de fatos e provas ou interpretação de legislação infraconstitucional local.
III. Razões de decidir
5. Para divergir do entendimento do Tribunal de origem, seria indispensável a análise da legislação infraconstitucional aplicada ao caso e nova apreciação dos fatos e do material probatório, procedimentos inviáveis neste momento processual, conforme os enunciados nº 279 e nº 280 da Súmula do Supremo Tribunal Federal.
6. As decisões judiciais não precisam ser analíticas, bastando que contenham fundamentos suficientes para justificar suas conclusões, não havendo violação ao art. 93, inc. IX, da Constituição.
7. Não houve declaração de inconstitucionalidade de norma legal, nem afastamento de sua aplicação, mas, tão somente, interpretação de norma infraconstitucional, o que afasta a violação ao art. 97 da Constituição ou ao enunciado nº 10 da Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal.
8. O Tribunal de origem não julgou válida lei ou ato de governo local contestados em desfavor da Constituição da República, o que inviabiliza o processamento do recurso extraordinário pela alínea "c" do permissivo constitucional.
9. A interposição do recurso extraordinário com fundamento na alínea "d" do permissivo constitucional exige a demonstração de conflito de competência legislativa entre o ente federativo local e a União, o que não ocorreu no caso.
IV. Dispositivo
10. Agravo regimental não provido.
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Dispositivos relevantes citados: CRFB, arts. 93, inc. IX, 97, 102, inc. III, al. "c", 102, inc. III, al. "d"; Lei nº 13.874, de 2019, art. 3º, inc. I, § 2º; Resolução CGSIM nº 51, de 2019; Lei Complementar nº 170, de 1983, art. 170, § 6º, inc. I; enunciado nº 10 da Súmula Vinculante do STF; enunciados nº 279, nº 280 e nº 512 da Súmula do STF; CPC, arts. 85, § 11, 1.021, § 4º.
Jurisprudência relevante citada: RE nº 1.591.574-AgR/SC, Rel. Min. Flávio Dino, Primeira Turma, j. 29/04/2026; RE nº 1.585.347-AgR/SC, Rel. Min. Edson Fachin, Tribunal Pleno, j. 09/03/2026; AI nº 791.292-QO-RG/PE, Rel. Min. Gilmar Mendes; ARE nº 1.257.744-AgR/MG, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, j. 18/08/2020; RE nº 938.265-AgR/SC, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, j. 21/02/2022; ARE nº 1.215.344-ED-AgR/SP, Rel. Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, j. 11/11/2019.
Decisão
A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental e deixou de fixar a verba honorária de sucumbência, nos termos do enunciado nº 512 da Súmula do STF, nos termos do voto do Relator, Ministro André Mendonça. Segunda Turma, Sessão Virtual de 4.9.2026 a 14.9.2026.