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Jurisprudências

STJAgRg no HC 1.086.256

Estupro de vulnerável: retratação posterior da vítima

Relator(a): Joel Ilan Paciornik

  • Processo Penal
  • Direito Penal
  • Estupro de vulnerável
  • Retratação posterior da vítima
  • Ausência de prova nova
  • Via eleita inadequada para revolvimento fático-probatório

Ementa

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. RETRATAÇÃO POSTERIOR DA VÍTIMA. REVISÃO CRIMINAL. AUSÊNCIA DE PROVA NOVA. VIA ELEITA INADEQUADA PARA REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. AGRAVO DESPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1. O recurso. Agravo regimental no habeas corpus interposto contra decisão da Presidência que indeferiu liminarmente a impetração e deixou de conceder ordem de ofício, por inexistência de ilegalidade na condenação pelo delito do art. 217-A, caput, c/c art. 226, II, do Código Penal.

2. Fato relevante. Agravante condenado à pena de 35 anos de reclusão, em regime inicial fechado, pela prática do crime previsto no art. 217-A, caput, c/c os arts. 71 e 226, II, do Código Penal. Defesa sustenta que a condenação repousa exclusivamente na palavra da vítima e que a retratação posterior, em ação de justificação criminal, constitui prova nova de inocência.

3. As decisões anteriores. Revisão criminal ajuizada após o trânsito em julgado indeferida pelo Tribunal de origem, sob fundamento de inexistência de prova nova idônea, clara e inequívoca, por se tratar de narrativa superveniente imprecisa, sem negar de forma categórica os abusos e dissociada do conjunto probatório que sustentou a condenação; sentença e acórdãos confirmatórios realizaram minuciosa análise da instrução sob contraditório e ampla defesa; pareceres ministeriais pelo desprovimento do agravo.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

4. Há duas questões em discussão: (i) saber se a alteração posterior da versão da vítima, apresentada em ação de justificação criminal e sem respaldo em elementos externos objetivos, constitui prova nova idônea, clara e inequívoca capaz de desconstituir a condenação por estupro de vulnerável; e (ii) saber se o habeas corpus é via adequada para o revolvimento do conjunto fático-probatório e a reavaliação da suficiência das provas que embasaram o édito condenatório.

III. RAZÕES DE DECIDIR

5. A retratação superveniente da vítima, imprecisa, sem detalhes e sem negar de forma clara e categórica a ocorrência dos abusos, dissociada dos demais elementos de convicção, não se qualifica como prova nova apta a infirmar condenação já validada pelas instâncias ordinárias.

6. O acórdão impugnado entendeu que a alteração posterior de versão da vítima foi apenas uma nova narrativa de fatos já examinados no processo originário, e não uma prova nova capaz de afastar a condenação. Não teria sido negado de forma clara, firme e categórica a ocorrência dos abusos.

7. A revisão criminal não comporta reabertura ampla da discussão fático-probatória nem substituição do juízo definitivo por narrativa superveniente isolada, exigindo prova nova idônea, clara e inequívoca de inocência, inexistente no caso.

8. O habeas corpus, marcado por cognição sumária e rito célere, não se presta ao reexame aprofundado de fatos e provas nem à absolvição, ausente flagrante ilegalidade, sendo incompatível com o revolvimento fático-probatório pretendido.

IV. DISPOSITIVO E TESE

9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.

Tese de julgamento:

1. A retratação posterior da vítima, desacompanhada de elementos externos objetivos e dissociada do conjunto probatório, não configura prova nova idônea para desconstituir condenação por estupro de vulnerável.

2. O habeas corpus não é via adequada para revolvimento fático-probatório nem para reavaliar a suficiência das provas que sustentam a condenação, ressalvadas hipóteses de flagrante ilegalidade. Dispositivos relevantes citados: CP, art. 217-A, caput; CP, art. 71; CP, art. 226, II.

Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 962.965/AL, Rel. Min. Daniela Teixeira, Quinta Turma, j. 26.02.2025, DJe 05.03.2025; STJ, AgRg no RHC 198.668/MG, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, j. 01.07.2024, DJe 03.07.2024; STJ, AgRg no AREsp 2.462.400/SC, Rel. Min. Rogério Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 19.02.2024; STJ, AgRg no HC 1.000.710/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, j. 18.06.2025, DJe 25.06.2025; STJ, HC 365.271/SP, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, DJe 05.10.2016.

Tese

1. A retratação posterior da vítima, desacompanhada de elementos externos objetivos e dissociada do conjunto probatório, não configura prova nova idônea para desconstituir condenação por estupro de vulnerável.

2. O habeas corpus não é via adequada para revolvimento fático-probatório nem para reavaliar a suficiência das provas que sustentam a condenação, ressalvadas hipóteses de flagrante ilegalidade. Dispositivos relevantes citados: CP, art. 217-A, caput; CP, art. 71; CP, art. 226, II.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 22/10/2026 a 29/10/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas, Reynaldo Soares da Fonseca e Ribeiro Dantas votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

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