STJAgRg no AgRg no AREsp 3.227.337
Óbice da súmula 207/STJ afastado: salvo-conduto para importação e cultivo de cannabis para fins medicinais
Relator(a): Ribeiro Dantas
- Processo Penal
- Direito Penal
- Direito Médico e da Saúde
- Óbice da súmula 207/STJ afastado
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ÓBICE DA SÚMULA 207/STJ AFASTADO. HABEAS CORPUS PREVENTIVO. SALVO-CONDUTO PARA IMPORTAÇÃO E CULTIVO DE CANNABIS PARA FINS MEDICINAIS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que afastou a Súmula 207/STJ, conheceu do recurso especial e negou-lhe provimento, por incidência da Súmula 7/STJ.
2. Fato relevante. Habeas corpus preventivo com sentença concessiva que confirmou salvo-conduto para importação de até 250 sementes e cultivo de até 180 plantas de Cannabis sativa por ano, para fins exclusivamente medicinais e uso próprio, cassado por acórdão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região.
3. Pedido. A agravante busca reconsideração para afastar a Súmula 7/STJ, sob alegação de revaloração jurídica de fatos documentalmente incontroversos, e pretende o provimento do recurso especial para restabelecer integralmente a sentença concessiva do habeas corpus preventivo e o salvo-conduto.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. Há duas questões em discussão: (i) saber se o afastamento do óbice da Súmula 207/STJ é compatível com a inexistência de recurso ordinário cabível na origem; e (ii) saber se a revisão, em recurso especial, da conclusão das instâncias ordinárias quanto à suficiência da prova pré-constituída e à proporcionalidade do quantitativo autorizado depende de reexame fático-probatório, atraindo a incidência da Súmula 7/STJ.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. O acórdão recorrido, em coerência com a jurisprudência das Turmas Criminais, admite em tese a via do habeas corpus para obstar repressão penal, mas denega a ordem por insuficiência da prova pré-constituída e desproporcionalidade do quantitativo pleiteado.
6. A pretensão de restabelecimento do salvo-conduto demanda reexame do conjunto fático-probatório quanto à suficiência dos documentos e à proporcionalidade do quantitativo, hipótese vedada em recurso especial, por força da Súmula 7/STJ.
7. Ausência de argumentos novos ou suficientes no agravo regimental para infirmar os fundamentos da decisão monocrática.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.
Tese de julgamento:
1. A ausência de recurso ordinário cabível na origem afasta a incidência da Súmula 207/STJ e permite o conhecimento do recurso especial. 2. A revisão da suficiência da prova pré-constituída e da proporcionalidade do quantitativo em habeas corpus preventivo exige reexame fático-probatório, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. 3. Mantém-se a decisão monocrática quando o agravo regimental não apresenta argumentos novos ou aptos a infirmar seus fundamentos. Dispositivos relevantes citados:Não há dispositivos legais identificáveis no documento disponível além de referências a súmulas.
Jurisprudência relevante citada:STJ, Súmula 7; STJ, Súmula 207; STJ, Súmula 390.
Tese
1. A ausência de recurso ordinário cabível na origem afasta a incidência da Súmula 207/STJ e permite o conhecimento do recurso especial. 2. A revisão da suficiência da prova pré-constituída e da proporcionalidade do quantitativo em habeas corpus preventivo exige reexame fático-probatório, o que é vedado em recurso especial pela Súmula 7/STJ. 3. Mantém-se a decisão monocrática quando o agravo regimental não apresenta argumentos novos ou aptos a infirmar seus fundamentos. Dispositivos relevantes citados:Não há dispositivos legais identificáveis no documento disponível além de referências a súmulas.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.