STJAgRg no AREsp 2.864.161
Sequestro de bens imóveis: suposta aquisição de boa-fé
Relator(a): Maria Marluce Caldas
- Direito Penal
- Processo Penal
- Direito Imobiliário
- Sequestro de bens imóveis
- Suposta aquisição de boa-fé
- Pretensão de reforma
- Inviabilidade
Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EMBARGOS DE TERCEIRO. SEQUESTRO DE BENS IMÓVEIS. SUPOSTA AQUISIÇÃO DE BOA-FÉ. TRIBUNAL DE ORIGEM QUE, SOBERANO NA ANÁLISE FÁTICA, CONCLUIU PELA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA LICITUDE DO NEGÓCIO. PRETENSÃO DE REFORMA. INVIABILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo Regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do Agravo em Recurso Especial, mantendo a inadmissão do apelo nobre, o qual se voltava contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará que, em sede de Apelação Criminal, manteve a improcedência de Embargos de Terceiro, persistindo a constrição sobre bens imóveis determinada em medida cautelar penal por crimes contra a ordem tributária.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. A controvérsia cinge-se a definir se a pretensão da agravante, de ver reconhecida sua condição de terceira adquirente de boa-fé e, assim, levantar a indisponibilidade que recai sobre os imóveis, demandaria o reexame do conjunto fático-probatório, atraindo o óbice da Súmula n. 7 do Superior Tribunal de Justiça.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A decisão agravada, em conformidade com a jurisprudência desta Corte, aplicou corretamente o óbice da Súmula n. 7/STJ, pois o Tribunal de origem, com base no acervo probatório, concluiu pela existência de fundadas dúvidas sobre a boa-fé da adquirente e a licitude do negócio jurídico, destacando elementos como a emissão de cheques por terceiros e a assinatura de documentos por pessoa investigada na ação principal. A desconstituição de tal entendimento é inviável na via do recurso especial.
4. A pretensão de revaloração da prova, como sustentado pela agravante, não se confunde com o mero reexame do acervo probatório. A revaloração é cabível quando há erro de direito na aplicação de critérios legais à prova, enquanto o reexame, vedado pela Súmula n. 7/STJ, implica a reapreciação dos fatos para extrair uma nova conclusão. No caso, a instância ordinária formou sua convicção a partir da análise direta das provas, e a alteração dessa conclusão exigiria, inevitavelmente, um novo mergulho no substrato fático, o que não se admite.
5. A ausência de impugnação específica e pormenorizada, no agravo em recurso especial, aos fundamentos da decisão de inadmissibilidade, notadamente quanto à demonstração de que a análise da controvérsia não demandaria reexame de provas, atrai, por analogia, a incidência da Súmula n. 182/STJ.
IV. DISPOSITIVO E TESE
6. Agravo regimental desprovido. Tese: A análise da tese de aquisição de boa-fé de bem imóvel objeto de constrição em processo penal, quando as instâncias ordinárias, com base nas provas dos autos, concluem pela existência de fundadas dúvidas sobre a licitude do negócio, encontra óbice na Súmula n. 7/STJ, por demandar o reexame do conjunto fático-probatório.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.