STJAgRg no HC 1.102.911
Extensão de benefício processual: ausência de identidade fático-processual
Relator(a): Og Fernandes
- Processo Penal
- Direito Penal
- Extensão de benefício processual
- Ausência de identidade fático-processual
- Situação pessoal distinta
- Histórico de atos infracionais
- Risco concreto de reiteração delitiva
- Análise vertical de alegações
Ementa
PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. EXTENSÃO DE BENEFÍCIO PROCESSUAL. ART. 580 DO CÓDIGO DE PROCESSO PENAL. AUSÊNCIA DE IDENTIDADE FÁTICO-PROCESSUAL. SITUAÇÃO PESSOAL DISTINTA. HISTÓRICO DE ATOS INFRACIONAIS. RISCO CONCRETO DE REITERAÇÃO DELITIVA. ANÁLISE VERTICAL DE ALEGAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.
1. A extensão dos efeitos favoráveis de decisão judicial aos corréus, na forma do art. 580 do Código de Processo Penal, somente é cabível quando houver identidade de situações fático-processuais, inexistindo circunstância de natureza exclusivamente pessoal que justifique solução diversa.
2. Na hipótese, embora a custódia do agravante decorra do mesmo decreto prisional, sua situação não se equipara à do paciente paradigma, porquanto ostenta histórico de atos infracionais recentes, inclusive análogos ao delito de tráfico de drogas. Tal circunstância evidencia o concreto risco de reiteração delitiva e afasta a identidade fático-processual necessária à extensão dos efeitos da decisão, nos termos do art. 580 do Código de Processo Penal.
3. Mostra-se inviável o exame aprofundado das demais alegações defensivas, porquanto não há demonstração de que tenham sido previamente submetidas à apreciação das instâncias ordinárias em relação ao agravante.
4. Agravo regimental improvido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 27/08/2026 a 02/09/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz, Carlos Pires Brandão e Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do TJDFT) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.