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Jurisprudências

STJAgRg no AREsp 3.331.433

Tráfico de drogas: busca pessoal

Relator(a): Ribeiro Dantas

  • Direito Penal
  • Processo Penal
  • Tráfico de drogas
  • Busca pessoal
  • Fundada suspeita
  • Prova policial em juízo
  • Cerceamento de defesa
  • Perícia genética indeferida

Ementa

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. TRÁFICO DE DROGAS. BUSCA PESSOAL. FUNDADA SUSPEITA. PROVA POLICIAL EM JUÍZO. CERCEAMENTO DE DEFESA. PERÍCIA GENÉTICA INDEFERIDA. MINORANTE DO ART. 33, § 4º, DA LEI DE DROGAS. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1. O recurso. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que conheceu do agravo para negar provimento ao recurso especial, mantendo acórdão condenatório por tráfico de drogas (art. 33, caput, da Lei 11.343/06), com pena de 6 anos de reclusão, regime inicial fechado, e 600 dias-multa.

2. Fato relevante. Busca pessoal realizada por policiais militares em condomínio conhecido pela prática do tráfico após o agravante utilizar telefone celular, aparentar volume na cintura, tentar se ocultar atrás de veículo e empreender fuga ao avistar a viatura; apreensão, na abordagem, de significativa quantidade de entorpecentes em sacola e dinheiro; fuga confirmada em interrogatório extrajudicial.

3. As decisões anteriores. Instâncias ordinárias afastaram a nulidade da busca pessoal por fundada suspeita (art. 244 do CPP), valoraram prova documental (boletim de ocorrência, auto de exibição e apreensão e laudo químico-toxicológico) e depoimentos policiais colhidos sob contraditório (art. 155 do CPP), rejeitaram cerceamento de defesa diante do indeferimento fundamentado de perícia genética nas embalagens (arts. 156 e 402 do CPP) e excluíram a minorante do art. 33, § 4º, da Lei 11.343/06 em razão de reincidência específica; decisão monocrática do Superior Tribunal de Justiça confirmou tais conclusões.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

4. Há cinco questões em discussão: (i) saber se as circunstâncias objetivamente registradas demonstram fundada suspeita, nos termos do art. 244 do CPP, a legitimar a busca pessoal sem mandado; (ii) saber se a condenação violou o art. 155 do CPP por se apoiar exclusivamente em depoimentos policiais, diante de divergências periféricas nas narrativas; (iii) saber se o indeferimento, com fundamento, da perícia genética nas embalagens configura cerceamento de defesa, à luz dos arts. 156 e 402 do CPP; (iv) saber se a minorante do art. 33, § 4º, da Lei 11.343/06 é aplicável quando há reincidência específica; e (v) saber se é possível reexaminar o conjunto fático-probatório na via especial para absolvição ou revisão das conclusões probatórias.

III. RAZÕES DE DECIDIR

5. O standard normativo do art. 244 do Código de Processo Penal foi atendido, pois circunstâncias concretas, objetivas e correlatas - evasão e ocultação do abordado ao avistar a equipe policial, porte aparente de objeto na cintura, notoriedade do local para a prática de tráfico e apreensão imediata de drogas e de numerário - evidenciam justa causa para a busca pessoal, sem ilegalidade ou abuso.

6. Não há ofensa ao art. 155 do Código de Processo Penal, eis que a condenação se apoia em prova documental e em depoimentos prestados em juízo sob contraditório, possuindo a palavra dos agentes de segurança, quando coerente e harmônica com os demais elementos dos autos, valor probante apto a sustentar o decreto condenatório, sem que discrepâncias periféricas comprometam o núcleo essencial da imputação.

7. Não há cerceamento de defesa, uma vez que o indeferimento da perícia genética foi devidamente motivado (arts. 156 e 402 do Código de Processo Penal) pela impropriedade técnica do exame, diante do manuseio do material por múltiplos agentes, e por sua desnecessidade, já demonstrada a autoria por outros meios de prova, não configurando constrangimento ilegal a recusa fundamentada a diligência.

8. A causa de diminuição do art. 33, § 4º, da Lei 11.343/2006 é inaplicável, pois a reincidência específica em tráfico evidencia dedicação a atividades criminosas, a impor, por presunção legal, o afastamento do benefício, ante o descumprimento de seus requisitos.

9. Inviável o reexame do conjunto fático-probatório na via especial, demandando a pretensão absolutória ou de revisão das conclusões probatórias o revolvimento de provas, providência vedada pela Súmula 7 do Superior Tribunal de Justiça.

IV. DISPOSITIVO

10. Resultado do Julgamento: Agravo regimental improvido.

Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 244; CPP, art. 240, § 2º; CPP, art. 155; CPP, art. 156; CPP, art. 157; CPP, art. 402; Lei 11.343/2006, art. 33, caput e § 4º; CP, art. 63; CP, art. 64; Súmula 7/STJ

Jurisprudência relevante citada: STF, RHC 229.514 AgR, Segunda Turma, j. 02.10.2023; STF, HC 230.232 AgR, Segunda Turma, j. 02.10.2023; STJ, RHC 158.580/BA, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, DJe 25.04.2022; STJ, AgRg no HC 873.792/PE, Rel. Min. Teodoro Silva Santos, Sexta Turma, j. 12.03.2024, DJe 15.03.2024; STJ, AgRg no HC 868.873/SP, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, j. 11.03.2024, DJe 13.03.2024; STJ, AgRg no AREsp 1.997.048/ES, Rel. Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, j. 15.02.2022, DJe 21.02.2022; STJ, AgRg no AREsp 2.464.490/MG, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, Sexta Turma, j. 27.08.2024, DJe 30.08.2024; STJ, HC 198.386/MG, Rel. Min. Gurgel de Faria, Quinta Turma, DJe 02.02.2015.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas e Reynaldo Soares da Fonseca votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Joel Ilan Paciornik.

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