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Jurisprudências

STJAgRg no HC 1.077.678

Salvo-conduto para cultivo de cannabis sativa para fins medicinais

Relator(a): Carlos Pires Brandão

Ementa

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS PREVENTIVO. SALVO-CONDUTO PARA CULTIVO DE CANNABIS SATIVA PARA FINS MEDICINAIS. AUSÊNCIA DE PROVA PRÉ-CONSTITUÍDA IDÔNEA E ATUALIZADA. AGRAVO DESPROVIDO.

I. Caso em exame

1. Agravo regimental interposto contra decisão que denegou a ordem de habeas corpus preventivo voltada à concessão de salvo-conduto para que a paciente possa cultivas cannabis sativa para fins medicinais.

2. Agravante sustenta o preenchimento dos requisitos para obtenção de salvo-conduto e junta novos documentos.

II. Questão em discussão

3. A questão em discussão consiste em saber se é possível conceder salvo-conduto para o cultivo de Cannabis sativa para fins medicinais na via estreita do habeas corpus sem comprovação documental idônea e atualizada e se a juntada de novos documentos supervenientes pode ser conhecida sem incorrer em inovação indevida e supressão de instância.

III. Razões de decidir

4. A concessão excepcional de salvo-conduto para cultivo doméstico de Cannabis sativa para fins medicinais é admitida pela jurisprudência, condicionada à comprovação da necessidade terapêutica e à instrução do feito com documentação idônea e atualizada.

5. Os documentos apresentados revelam-se insuficientes para consubstanciar prova pré-constituída: são antigos, vencidos, em parte ilegíveis e inconsistentes, com divergência entre a prescrição médica e o cadastro de importação da Anvisa.

6. A via do habeas corpus não admite dilação probatória nem inovação documental; a juntada de novos documentos e supervenientes sem prévio exame pelas instâncias ordinárias caracteriza inovação incabível e supressão de instância, inviabilizando seu conhecimento.

IV. Dispositivo e tese

7. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 03/09/2026 a 09/09/2026, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Carlos Pires Brandão. Os Srs. Ministros Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do TJDFT), Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior e Rogerio Schietti Cruz votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.

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