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Jurisprudências

STJAgRg no HC 1.102.657

Tráfico de drogas: sucedâneo de recurso próprio

Relator(a): Og Fernandes

  • Direito Penal
  • Processo Penal
  • Tráfico de drogas
  • Sucedâneo de recurso próprio
  • Ausência de ilegalidade flagrante
  • Prisão preventiva
  • Expressiva quantidade, natureza e diversidade de entorpecentes
  • Risco à ordem pública configurado

Ementa

PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. NÃO CONHECIMENTO DA IMPETRAÇÃO. SUCEDÂNEO DE RECURSO PRÓPRIO. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE FLAGRANTE. PRISÃO PREVENTIVA. EXPRESSIVA QUANTIDADE, NATUREZA E DIVERSIDADE DE ENTORPECENTES. RISCO À ORDEM PÚBLICA CONFIGURADO. CONDIÇÕES PESSOAIS FAVORÁVEIS IRRELEVANTES. MEDIDAS CAUTELARES ALTERNATIVAS INSUFICIENTES. ALEGAÇÕES DE ILEGALIDADE NO FLAGRANTE E NA CONFISSÃO EXTRAJUDICIAL. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. VÍCIO FORMAL DO FLAGRANTE SUPERADO. NOVO TÍTULO PRISIONAL. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.

1. O Superior Tribunal de Justiça consolidou a orientação de ser inviável a utilização do habeas corpus como sucedâneo de recurso próprio previsto na legislação, o que impõe o não conhecimento da impetração, salvo na hipótese de flagrante ilegalidade passível de concessão da ordem de ofício.

2. No procedimento constitucional do habeas corpus, de rito célere e cognição sumária, é inviável a produção de provas, o que impede a análise aprofundada acerca da autoria delitiva, da materialidade ou de eventual condição de "mula" do tráfico.

3. A custódia preventiva encontra-se devidamente fundamentada na necessidade de garantia da ordem pública em face da gravidade concreta da conduta, evidenciada pela apreensão de expressiva quantidade, natureza e diversidade de entorpecentes (mais de 60 kg de maconha, cocaína e haxixe).

4. A existência de condições pessoais favoráveis não possui o condão de, por si só, desconstituir a prisão cautelar quando preenchidos os seus requisitos autorizadores, mostrando-se igualmente inadequada a substituição da prisão por medidas cautelares alternativas ante a sua manifesta insuficiência para resguardar a ordem social.

5. As teses de ilegalidade na prisão em flagrante e na confissão extrajudicial não foram objeto de debate pelo Tribunal de origem, circunstância que obsta o exame direto por esta Corte Superior, sob pena de indevida supressão de instância. Ademais, eventual vício formal do flagrante tornou-se superado pela superveniência do decreto de prisão preventiva, que constitui novo título idôneo a respaldar a privação da liberdade.

6. Agravo regimental improvido.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 27/08/2026 a 02/09/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz, Carlos Pires Brandão e Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do TJDFT) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.

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