STJAgRg no HC 1.094.104
Adulteração de sinal identificador de veículo: pretensão absolutória
Relator(a): Reynaldo Soares da Fonseca
- Direito Penal
- Processo Penal
- Direito Civil
- Adulteração de sinal identificador de veículo
- Pretensão absolutória
- Via inadequada
- Posse do veículo aliada às circunstâncias do caso
- Presunção de ciência
Ementa
PENAL E PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCULO. PRETENSÃO ABSOLUTÓRIA. VIA INADEQUADA. NECESSIDADE DE REEXAME FÁTICO-PROBATÓRIO. POSSE DO VEÍCULO ALIADA ÀS CIRCUNSTÂNCIAS DO CASO. PRESUNÇÃO DE CIÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. O habeas corpus não admite revolvimento fático-probatório, sendo inadequado para pretensão absolutória que exige reexame aprofundado das provas.
2. A Lei 14.562/2023 alterou o art. 311 do Código Penal para abranger figuras equiparadas (conduzir, adquirir, manter em depósito, vender, expor à venda ou utilizar veículo com sinal identificador adulterado), bastando que o agente, pelas circunstâncias, devesse saber estar adulterado ou remarcado, hipótese de dolo eventual.
3. O conjunto probatório judicial (confissão extrajudicial, depoimentos colhidos sob contraditório e laudos periciais) demonstra que o agravante, sabendo da origem ilícita dos veículos e conduzindo "dublês", assumiu o risco da adulteração dos sinais identificadores, ajustando-se ao tipo penal do art. 311, § 2º, III, do Código Penal.
4. É desnecessária a prova de que o agente tenha realizado a adulteração; a posse/uso de veículo com sinal identificador adulterado, considera das as circunstâncias fáticas do caso, é apta a formar a convicção sobre a autoria, cabendo à defesa produzir prova em sentido contrário.
5. Agravo regimental não provido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 20/08/2026 a 26/08/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Maria Marluce Caldas votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.