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Jurisprudências

STJAgRg no HC 1.103.248

Homicídio qualificado: feminicídio

Relator(a): Carlos Pires Brandão

Ementa

DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO QUALIFICADO. FEMINICÍDIO. DOSIMETRIA. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu do habeas corpus e afastou a concessão de ofício, em feito relativo a condenação por homicídio qualificado, com pena de 30 anos de reclusão, em regime inicial fechado. O agravante busca o redimensionamento da pena-base ao mínimo legal, bem como a redução da fração da segunda fase para 1/6.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2. Há duas questões em discussão: (i) saber se o habeas corpus pode ser utilizado como sucedâneo para revisão da dosimetria após o trânsito em julgado, superando o óbice processual; e (ii) saber se há ilegalidade flagrante na fixação da pena-base e na fração de aumento da segunda fase, inclusive por suposto bis in idem.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3. O habeas corpus não se presta à revisão de condenação transitada em julgado nem à substituição de via própria, admitindo-se atuação apenas diante de ilegalidade manifesta, o que não se verifica.

4. A pena-base foi mantida acima do mínimo com fundamentação idônea, calcada nos maus antecedentes, na culpabilidade e nas circunstâncias do delito, com referência a elementos concretos do caso.

5. Não há bis in idem quando a exasperação inicial se ancora em vetores do art. 59 do CP e o aumento da segunda fase decorre de agravantes legais e da reincidência, com fundamentos distintos.

6. A fração da segunda fase fixada no patamar de 2/3 mostra-se compatível com a incidência simultânea de reincidência e de três agravantes.

IV. DISPOSITIVO

7. Agravo regimental desprovido.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 08/10/2026 a 15/10/2026, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Carlos Pires Brandão. Os Srs. Ministros Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do TJDFT), Og Fernandes, Sebastião Reis Júnior e Rogerio Schietti Cruz votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.

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