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Jurisprudências

STJAgRg no AREsp 2.975.349

Estupro de vulnerável: suficiência probatória

Relator(a): Rogerio Schietti

  • Direito Penal
  • Estupro de vulnerável
  • Suficiência probatória
  • Metavaloração
  • Não caracterização
  • Incidência
  • Palavra da vítima em consonância com as demais provas dos autos

Ementa

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. SUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. ALEGAÇÃO DE TESTEMUNHO INDIRETO E DE DIVERGÊNCIA ENTRE RELATOS TESTEMUNHAIS. METAVALORAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA N. 7 DO STJ. INCIDÊNCIA. PALAVRA DA VÍTIMA EM CONSONÂNCIA COM AS DEMAIS PROVAS DOS AUTOS. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.

1. Em delitos sexuais, comumente praticados às ocultas, a palavra da vítima tem especial relevância, desde que esteja em consonância com as demais provas acostadas aos autos (HC n. 227.449/SP, de relatoria do Ministro Rogerio Schietti Cruz, 6ª T., DJe 7/5/2015).

2. A metavaloração da prova, sem ofensa à Súmula n. 7 do STJ, é cabível quando a condenação se sustenta exclusivamente em testemunhos de pessoas identificadas como desafetos do acusado, cuja confiabilidade epistêmica seja, por isso, mínima, hipótese que não se confunde com a do REsp n. 2.042.215/PE, invocado pela defesa.

3. No caso concreto, as instâncias de origem afastaram expressamente qualquer indicativo de que o relato da criança, do tio ou da genitora decorresse de vingança, invenção ou qualquer outro móvel espúrio, premissa fática não impugnada especificamente pelo agravante. A divergência entre o relato do tio, que mencionou apenas um pedido formulado pelo agravante, e o relato da genitora, que afirmou a efetiva prática do ato, foi enfrentada pelo acórdão impugnado, que concluiu pela ocorrência do ato libidinoso à luz do comportamento da vítima e da ausência de elementos de descrédito sobre os depoimentos. A circunstância de a criança não haver sido ouvida diretamente também foi considerada pelas instâncias de origem, que atribuíram o fato ao desconforto da vítima em relatar o ocorrido, tratando-o como elemento corroborador, e não como lacuna probatória.

4. Definir se tais indícios, em conjunto, autorizam a inferência condenatória é juízo de ponderação de prova que a Súmula n. 7 do STJ reserva às instâncias ordinárias e não comporta reexame na via do recurso especial. O relato da genitora, ademais, não constitui hipótese de testemunho indireto isolado, mas elemento inserido em conjunto mais amplo de indícios convergentes, circunstância que distingue o caso dos precedentes em que esta Corte afastou condenações baseadas unicamente em testemunho de oitiva, sem nenhum outro elemento de corroboração.

5. Agravo regimental não provido.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Carlos Pires Brandão, Og Fernandes e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, a Sra. Ministra Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do TJDFT).

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