STJAgInt no REsp 2.243.531
Declaração de tributo lançado por homologação: não recolhimento
Relator(a): Regina Helena Costa
- Processo Civil
- Direito Civil
- Direito Tributário
- Declaração de tributo lançado por homologação
- Não recolhimento
- Aplicação de multa
- Descabimento
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. DECLARAÇÃO DE TRIBUTO LANÇADO POR HOMOLOGAÇÃO. NÃO RECOLHIMENTO. PRESCRIÇÃO RECONHECIDA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO.
I - A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS - GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei (dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento por homologação), sem o respectivo pagamento do tributo, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência conducente à formalização do valor declarado. Precedentes.
II - Nesses casos, não há prazo decadencial para a constituição do tributo, mas, tão somente, o prazo prescricional quinquenal para cobrança do crédito tributário, cujo termo inicial é a data do vencimento da obrigação tributária ou a da entrega da declaração, quando posterior.
III - In casu, o vencimento do crédito tributário deu-se em 04/2011 e a pretensão executória foi ajuizada apenas em 10/2016, após cinco anos. Prescritos, portanto, os créditos com vencimento antes de 10/2011 .
IV - Em regra, descabe a imposição da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do Código de Processo Civil de 2015 em razão do mero desprovimento do Agravo Interno em votação unânime, sendo necessária a configuração da manifesta inadmissibilidade ou improcedência.
V - Agravo Interno improvido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 03/03/2026 a 09/03/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Gurgel de Faria, Paulo Sérgio Domingues, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sérgio Kukina.