STJAgInt no AREsp 2.610.066
ICMS: creditamento decorrente de notas fiscais posteriormente declaradas inidôneas
Relator(a): Marco Aurélio Bellizze
- Processo Civil
- Direito Civil
- Direito Tributário
- ICMS
- Boa-fé do adquirente
- Veracidade das operações
- Conclusões da corte de origem fundadas no acervo fático-probatório
- Impossibilidade
Ementa
AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO ANULATÓRIA. ICMS. CREDITAMENTO DECORRENTE DE NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. BOA-FÉ DO ADQUIRENTE. VERACIDADE DAS OPERAÇÕES. CONCLUSÕES DA CORTE DE ORIGEM FUNDADAS NO ACERVO FÁTICO-PROBATÓRIO. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL PREJUDICADO. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO.
1. A pretensão de rever as conclusões da instância de origem, que, com base no laudo pericial e demais provas dos autos, assentou a insuficiência de elementos para comprovar a efetiva entrada das mercadorias no estabelecimento da contribuinte e, por conseguinte, a veracidade das operações comerciais, encontra óbice na Súmula n. 7/STJ, pois demandaria o reexame do conjunto fático-probatório dos autos.
2. Uma vez que as instâncias ordinárias, soberanas na análise das provas, concluíram que a contribuinte não se desincumbiu do ônus de demonstrar a veracidade da compra e venda, notadamente pela ausência de documentos essenciais solicitados pela perícia (como controles de entrada, pesagem e comprovantes de frete), a alteração de tal premissa fática é vedada na via especial.
3. A incidência da Súmula n. 7/STJ sobre a questão de fundo impede, por consequência, a análise do dissídio jurisprudencial, pois obsta o cotejo analítico entre os julgados ante a impossibilidade de aferir a similitude fática entre eles.
4. Agravo interno desprovido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 18/06/2026 a 24/06/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teodoro Silva Santos, Afrânio Vilela, Francisco Falcão e Maria Thereza de Assis Moura votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Teodoro Silva Santos.