TSTAg-RR 0010149-85.2024.5.03.0008
Adicional de insalubridade: grau máximo
Relator(a): DELAÍDE ALVES MIRANDA ARANTES
- Direito do Trabalho
- Direito Médico e da Saúde
- Adicional de insalubridade
- Grau máximo
- Contexto de pandemia de covid-19
- Agente comunitário de saúde
Ementa
AGRAVO EM RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO NA VIGÊNCIA DA LEI 13.467/2017. ADICIONAL DE INSALUBRIDADE. GRAU MÁXIMO. CONTEXTO DE PANDEMIA DE COVID-19. AGENTE COMUNITÁRIO DE SAÚDE. 1. Hipótese em que o Tribunal Regional reconheceu o direito da reclamante ao adicional de insalubridade em grau máximo (40%), nos períodos de março de 2020 a abril de 2022, em razão da exposição a agentes biológicos durante o atendimento a pacientes com COVID-19. 2. A jurisprudência desta Corte é no sentido de que o direito ao adicional de insalubridade em grau máximo poderá ser garantido aos empregados, mesmo que as suas funções não sejam desempenhadas em áreas de isolamento, caso os fatos evidenciem a existência de contato permanente com agentes infectocontagiosos. Nesse sentido, já decidiu a egrégia Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (E-RR-1023-68.2012.5.04.0019, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Relator Ministro Claudio Mascarenhas Brandao, DEJT 16/09/2022). 3.3. Dessa forma, torna-se irrelevante aferir o tempo de exposição dos empregados ao agente, ou mesmo o setor onde laboravam, se de isolamento ou não, pois, na hipótese, a exposição era inerente e habitual à função da reclamante, estando a trabalhadora igualmente sujeita ao risco biológico. 3. Nesse contexto, conclui-se que, no período da pandemia de Covid-19, as atividades desempenhadas pelos agentes comunitários, ainda que não exercidas em local de isolamento, enquadram-se às hipóteses previstas na NR-15 da Portaria 3.214/78, que prevê o adicional de insalubridade em grau máximo para trabalhadores em contato com pacientes e material infectocontagioso, na esteira da jurisprudência desta Corte. Agravo conhecido e não provido.
Decisão
Acordam os Ministros por unanimidade, conhecer do agravo e, no mérito, negar-lhe provimento. Brasília, 8 de abril de 2026. DELAÍDE MIRANDA ARANTES Ministra Relatora