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Jurisprudências

STJREsp 2.241.053

Plano de saúde: cirurgias plásticas reparadoras pós-bariátrica

Relator(a): João Otávio de Noronha

Ementa

DIREITO CIVIL E DO CONSUMIDOR. RECURSO ESPECIAL. PLANO DE SAÚDE. CIRURGIAS PLÁSTICAS REPARADORAS PÓS-BARIÁTRICA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO EM PARTE E DESPROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1. Recurso especial contra acórdão do Tribunal de Justiça de Alagoas que reconheceu a cobertura obrigatória de procedimentos reparadores pós-bariátrica e afastou danos morais.

2. A controvérsia diz respeito a ação de obrigação de fazer c/c indenização por danos morais sobre cobertura de mamoplastia com implantes, abdominoplastia pós-bariátrica, braquioplastia bilateral e lipoaspiração de tronco, com insumos e materiais.

3. O Juízo de primeiro grau julgou improcedentes os pedidos e fixou honorários em 10% sobre o valor atualizado da causa, com suspensão da exigibilidade.

4. A Corte de origem reformou parcialmente a sentença para determinar a cobertura integral dos procedimentos reparadores e reconhecer sucumbência recíproca, mantendo o afastamento dos danos morais.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

5. Há quatro questões em discussão: (i) saber se houve violação dos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022 do CPC por negativa de prestação jurisdicional; (ii) saber se a negativa de cobertura é legítima à luz do art. 10, § 4º, da Lei n. 9.656/1998; (iii) saber se o acórdão desconsiderou a competência regulatória da ANS prevista nos arts. 1º, 3º e 4º da Lei n. 9.961/2000; e (iv) saber se houve violação dos arts. 421 e 422 do CC ao afastar cláusulas contratuais de exclusão de procedimentos estéticos.

III. RAZÕES DE DECIDIR

6. Não ocorreu a ofensa aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022 do CPC, pois o acórdão enfrentou de modo suficiente as questões essenciais e rejeitou embargos de declaração por ausência de vícios.

7. Incide a Súmula n. 83 do STJ porque o acórdão recorrido está em conformidade com o Tema n. 1.069 do STJ, que reconhece a cobertura obrigatória das cirurgias reparadoras pós-bariátrica indicadas pelo médico assistente.

8. Incide a Súmula n. 7 do STJ porque a pretensão recursal demanda reexame do acervo fático-probatório quanto ao caráter reparador das cirurgias e à necessidade terapêutica.

IV. DISPOSITIVO E TESE

9. Recurso especial conhecido em parte e desprovido.

Tese de julgamento: "1. Não ocorre a ofensa aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022 do CPC, quando o acórdão enfrenta as questões essenciais e rejeita embargos por ausência de vícios. 2. Incide a Súmula n. 83 do STJ quando a decisão recorrida está alinhada ao Tema n. 1.069 do STJ sobre cobertura obrigatória de cirurgias reparadoras pós-bariátrica. 3. Incide a Súmula n. 7 do STJ quando o acolhimento da tese recursal exige reexame do acervo fático-probatório para redefinir o caráter dos procedimentos."

Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 85, 291, 373, II, 489, § 1º, IV, e 1.022; CC, arts. 421 e 422; Lei n. 9.656/1998, art. 10, § 4º; Lei n. 9.961/2000, arts. 1º, 3º e 4º.

Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp n. 2.180.817/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 9/2/2026; STJ, AREsp n. 3.127.558/SP, relator Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em 22/4/2026; STJ, REsp n. 2.166.999/DF, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em 20/3/2025; STJ, EDcl no AgInt no REsp n. 1.925.562/SP, relator Ministro Marco Buzzi, Quarta Turma, julgados em 17/3/2025; STJ, AgInt no REsp n. 2.152.327/MG, relator Ministro Moura Ribeiro, Terceira Turma, julgado em 24/2/2025; STJ, Súmulas n. 83 e 7.

Tese

"1. Não ocorre a ofensa aos arts. 489, § 1º, IV, e 1.022 do CPC, quando o acórdão enfrenta as questões essenciais e rejeita embargos por ausência de vícios. 2. Incide a Súmula n. 83 do STJ quando a decisão recorrida está alinhada ao Tema n. 1.069 do STJ sobre cobertura obrigatória de cirurgias reparadoras pós-bariátrica. 3. Incide a Súmula n. 7 do STJ quando o acolhimento da tese recursal exige reexame do acervo fático-probatório para redefinir o caráter dos procedimentos."

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 13/10/2026 a 20/10/2026, por unanimidade, conhecer parcialmente do recurso, mas lhe negar provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro João Otávio de Noronha. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Luís Carlos Gambogi (Desembargador Convocado do TJMG) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Maria Isabel Gallotti.

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