STJEDcl no REsp 2.235.569
Dissídio jurisprudencial: cotejo analítico
Relator(a): João Otávio de Noronha
- Processo Civil
- Direito Civil
- Dissídio jurisprudencial
- Cotejo analítico
- Similitude fático-jurídica
- Contradição interna
Ementa
DIREITO PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO. SIMILITUDE FÁTICO-JURÍDICA. CONTRADIÇÃO INTERNA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
I. CASO EM EXAME
1. Embargos de declaração opostos a acórdão que não conheceu do recurso especial pela alínea c, em razão da insuficiência do cotejo analítico e da ausência de demonstração da similitude fático-jurídica entre os julgados confrontados.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há três questões em discussão: (i) saber se houve omissão quanto ao cotejo analítico realizado no recurso especial; (ii) saber se houve omissão quanto à análise da similitude fática entre os julgados confrontados; e (iii) saber se há contradição interna entre a identificação da controvérsia e a conclusão pela ausência de similitude fática.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. Os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material existentes no julgado.
4. Inexiste omissão quanto ao cotejo analítico: o acórdão embargado analisou a forma de demonstração do dissídio e concluiu, fundamentadamente, pela insuficiência diante da falta de identidade fático-jurídica.
5. Não há omissão na análise da similitude fática: houve pronunciamento expresso sobre a moldura fática do caso e a insuficiência de confronto específico com o paradigma.
6. Afasta-se a contradição interna: a identificação da matéria jurídica controvertida não se confunde com o reconhecimento da similitude fático-jurídica exigida para o conhecimento do recurso pela alínea c, sendo coerente a conclusão pela ausência de demonstração do dissídio.
IV. DISPOSITIVO E TESE
7. Embargos de declaração rejeitados.
Tese de julgamento: "1. Não há omissão quando o acórdão embargado examina o cotejo analítico e conclui, de forma clara e suficiente, pela inexistência de identidade fático-jurídica entre os julgados confrontados. 2. Não cabem embargos de declaração para rediscutir a avaliação da similitude fática quando houve pronunciamento expresso e fundamentado sobre a moldura fática e a insuficiência do confronto com o paradigma. 3. Inexiste contradição interna quando o acórdão delimita a controvérsia jurídica e, em juízo de admissibilidade pela alínea c, rejeita o conhecimento por ausência de demonstração rigorosa do dissídio jurisprudencial".
Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 1.022 e 1.026, § 2º; CF, art. 105, III, c.
Jurisprudência relevante citada: STJ, REsp n. 1.568.290/RS; STJ, REsp n. 1.826.463/SC.
Tese
"1. Não há omissão quando o acórdão embargado examina o cotejo analítico e conclui, de forma clara e suficiente, pela inexistência de identidade fático-jurídica entre os julgados confrontados. 2. Não cabem embargos de declaração para rediscutir a avaliação da similitude fática quando houve pronunciamento expresso e fundamentado sobre a moldura fática e a insuficiência do confronto com o paradigma. 3. Inexiste contradição interna quando o acórdão delimita a controvérsia jurídica e, em juízo de admissibilidade pela alínea c, rejeita o conhecimento por ausência de demonstração rigorosa do dissídio jurisprudencial".
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 13/10/2026 a 20/10/2026, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Luís Carlos Gambogi (Desembargador Convocado do TJMG) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Maria Isabel Gallotti.