STJAgRg no RHC 183.520
Crime de calúnia: trancamento de inquérito policial
Relator(a): Og Fernandes
- Direito Penal
- Processo Penal
- Direito do Trabalho
- Crime de calúnia
- Trancamento de inquérito policial
- Contexto de reclamação trabalhista
Ementa
PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. CRIME DE CALÚNIA. TRANCAMENTO DE INQUÉRITO POLICIAL. ALEGAÇÃO DE ATIPICIDADE DA CONDUTA POR AUSÊNCIA DE ANIMUS CALUNIANDI E IMUNIDADE PROFISSIONAL DO ADVOGADO. CONTEXTO DE RECLAMAÇÃO TRABALHISTA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.
1. O trancamento de inquérito policial ou ação penal por meio de habeas corpus constitui medida excepcional, somente cabível quando demonstrada, de plano e sem necessidade de dilação probatória, a atipicidade da conduta, a ausência de justa causa, de indícios de autoria ou de prova da materialidade delitiva, ou a incidência de causa extintiva da punibilidade.
2. A alegação de ausência do elemento subjetivo específico (animus caluniandi) em favor do animus narrandi demanda aprofundado exame probatório incompatível com a via eleita, uma vez que a verificação do elemento anímico da conduta perpetrada somente será aferível com regular investigação.
3. A imunidade profissional prevista no art. 7º, § 2º, do Estatuto da OAB, tradicionalmente, não abrange o crime de calúnia, restringindo-se aos crimes de injúria e difamação quando as manifestações ocorrem no exercício da atividade profissional.
4. O contexto de reclamação trabalhista, embora relevante, não afasta automaticamente a tipicidade da conduta quando há elementos informativos suficientes que autorizam o prosseguimento das investigações, incluindo notícia-crime e depoimentos testemunhais.
5. A existência de controvérsia jurisprudencial sobre a extensão da imunidade profissional não constitui fundamento suficiente para o trancamento da persecução penal na fase investigativa, quando presentes indícios mínimos de materialidade e autoria.
6. Agravo regimental improvido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 18/09/2025 a 24/09/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz, Antonio Saldanha Palheiro e Carlos Pires Brandão votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Sebastião Reis Júnior.