STJAgRg no RHC 247.269
Roubo: trancamento da ação penal
Relator(a): Og Fernandes
- Direito Penal
- Processo Penal
- Roubo
- Trancamento da ação penal
- Justa causa
- Reconhecimento pessoal
- Necessidade de revolvimento fático-probatório
- Ausência de ilegalidade flagrante
Ementa
PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM HABEAS CORPUS. ROUBO. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. JUSTA CAUSA. RECONHECIMENTO PESSOAL. NECESSIDADE DE REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. AUSÊNCIA DE ILEGALIDADE FLAGRANTE. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.
1. O trancamento da ação penal pela via estreita do habeas corpus é medida excepcional, cabível quando demonstradas, de plano, a inépcia da denúncia, a atipicidade da conduta, a extinção da punibilidade ou a ausência de indícios de materialidade ou de autoria. A impetração deve estar instruída com prova pré-constituída da ilegalidade alegada.
2. No caso, foram apontados elementos de informação que conferem suporte inicial à imputação, entre eles o relato de que a vítima, após perseguir os autores do roubo e ser agredida, reconheceu imediatamente os cinco envolvidos, além da declaração do policial militar que conduziu o flagrante.
3. A análise da alegada ilegalidade do reconhecimento pessoal mostra-se prematura, devendo a questão ser apreciada pelo juízo natural no curso da instrução, após a avaliação das provas. Em situação análoga, esta Corte Superior decidiu que a tese deve ser examinada "durante a instrução processual em juízo, em cognição plena". Precedentes.
4. O acolhimento da tese de ausência de justa causa exigiria o confronto entre os elementos informativos e as provas produzidas posteriormente, providência incompatível com a estreita via estreita do habeas corpus.
5. Agravo regimental improvido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 22/10/2026 a 29/10/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz, Carlos Pires Brandão e Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do TJDFT) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.