STJAgRg no HC 1.019.788
Organização criminosa: lavagem de dinheiro
Relator(a): Reynaldo Soares da Fonseca
- Direito Penal
- Processo Penal
- Direito Empresarial
- Organização criminosa
- Lavagem de dinheiro
- Prisão preventiva
- Decisão fundamentada
- Indícios de autoria e materialidade
- Gravidade concreta
Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. LAVAGEM DE DINHEIRO. PRISÃO PREVENTIVA. DECISÃO FUNDAMENTADA. INDÍCIOS DE AUTORIA E MATERIALIDADE. GRAVIDADE CONCRETA. RISCO DE REITERAÇÃO DELITIVA. ATIVIDADE EMPRESARIAL ESTRUTURADA COMO SUPORTE À ORCRIM. INVIABILIDADE DE SUBSTITUIÇÃO POR MEDIDAS CAUTELARES. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. Não se conhece de habeas corpus substitutivo de recurso ordinário, salvo em casos de flagrante ilegalidade, hipótese não caracterizada nos autos.
2. A manutenção da prisão preventiva encontra respaldo em decisão fundamentada, com base em elementos concretos constantes dos autos, especialmente diante da identificação da empresa do paciente como destinatária de vultosos recursos de origem suspeita, com relevante papel na dinâmica financeira da organização criminosa.
3. A gravidade concreta da conduta, evidenciada pelo volume das transações, pela estrutura de ocultação patrimonial e pelos indícios de vinculação à facção criminosa voltada ao tráfico e à lavagem de capitais, justifica a segregação cautelar para garantia da ordem pública.
4. A alegação de inocência e de atividade empresarial regular demanda revolvimento do conjunto fático-probatório, providência incabível na via estreita do habeas corpus ou em agravo regimental contra decisão que o denega.
5. A substituição da prisão por medidas cautelares previstas no art. 319 do CPP mostra-se inadequada no caso concreto, considerando a magnitude dos fatos investigados e os riscos apontados pelas instâncias ordinárias.
6. Agravo regimental não provido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 06/11/2025 a 12/11/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator.Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Maria Marluce Caldas votaram com o Sr. Ministro Relator.Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.