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Jurisprudências

STJAgInt nos EDcl na PET na ExeMS 26.675

Anulação da portaria anistiadora: intimação do exequente para informar eventual ajuizamento de ação questionando a invalidação

Relator(a): Regina Helena Costa

Ementa

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NA PETIÇÃO NA EXECUÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. ANULAÇÃO DA PORTARIA ANISTIADORA. INTIMAÇÃO DO EXEQUENTE PARA INFORMAR EVENTUAL AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUESTIONANDO A INVALIDAÇÃO. ALEGAÇÃO DE COISA JULGADA. REJEIÇÃO.

1. Trata-se de agravo interno contra decisão que determinou que o exequente, ora agravante, se manifestasse sobre eventual ajuizamento de ação questionando a invalidação da sua anistia política. Em resposta, o exequente defendeu a necessidade de se observar a coisa julgada formada no MS 26.675/DF.

2. Conforme assinalado na decisão agravada, o MS 26.675/DF, teve como ato coator a edição da Portaria nº 1.477, de 5/6/2020, da Ministra de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, que anulara a portaria de anistia, após concluído o procedimento revisional instaurado com fundamento na Portaria nº 3.076, de 16/12/2019, da Ministra de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. A concessão da ordem deu-se em razão da existência de vícios formais naquele procedimento que comprometeram o exercício do contraditório e da ampla defesa, em descompasso, portanto, com a orientação versada no julgamento do RE 817.338/DF (Tema 839).

3. Contudo, nada impedia que a Administração deflagrasse outro procedimento revisional, corrigindo os vícios que inquinavam o anterior. Foi o que ocorreu com a abertura de nova revisão, dessa vez com esteio na Instrução Normativa nº 2, de 29/9/2021, da Ministra de Estado da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Concluídos os trabalhos na esfera administrativa, decidiu-se pela anulação da portaria de anistia mediante a edição da portaria recentemente noticiada pela UNIÃO.

4. Em consequência, não merece acolhida a alegação de violação à coisa julgada se a UNIÃO, com a nova revisão deflagrada, buscou observar o devido processo legal como exige o precedente vinculante da Excelsa Corte. A propósito, em diversos julgamentos envolvendo a questão da nulidade de procedimentos revisionais, Ministros integrantes da Primeira Seção costumam fazer ressalva nos seguintes moldes: "Sem embargo da concessão desta ordem, fica reservado à Administração o direito de retomar o aludido processo revisional, aproveitando os atos anteriores ao agora anulado" (v.g.: MS n. 27.377, minha relatoria, DJe de 01/08/2022; AgInt no MS n. 28.147, Ministro Francisco Falcão, D Je de 10/08/2022; MS n. 26.704, Ministro Sérgio Kukina, DJe de 29/09/2022).

5. Não prospera a alegação de que a invalidação da portaria teria efeitos prospectivos. A anulação de ato administrativo, em regra, tem efeitos ex tunc. Se houve invalidação da anistia do impetrante, é indevido o pagamento de qualquer valor a esse título, ressalvada a impossibilidade de o ente público buscar a devolução daqueles efetivamente recebidos pelo anistiado.

6. Agravo interno não provido.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA SEÇÃO do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 12/03/2025 a 18/03/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Maria Thereza de Assis Moura, Benedito Gonçalves, Marco Aurélio Bellizze, Sérgio Kukina, Paulo Sérgio Domingues, Teodoro Silva Santos e Afrânio Vilela votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Gurgel de Faria.

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