STJAgRg no AREsp 3.299.132
Homicídio duplamente qualificado tentado: dosimetria da pena
Relator(a): Joel Ilan Paciornik
- Direito Penal
- Processo Penal
- Homicídio duplamente qualificado tentado
- Dosimetria da pena
- Pena-base
- Circunstâncias judiciais
- Fração de aumento
Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HOMICÍDIO DUPLAMENTE QUALIFICADO TENTADO. DOSIMETRIA DA PENA. PENA-BASE. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS. FRAÇÃO DE AUMENTO. AGRAVO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. O agravo regimental. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que, ao conhecer do agravo do assistente da acusação para conhecer em parte do recurso especial, deu parcial provimento para redimensionar a pena do Agravante para 8 anos de reclusão.
2. Fato relevante. Nas instâncias ordinárias, a pena-base foi fixada em 15 anos de reclusão, afastada do mínimo legal (12 anos) do homicídio qualificado, com valoração negativa da culpabilidade (intensa) e das circunstâncias do crime (consideração da qualificadora do recurso que dificultou a defesa da vítima como circunstância judicial), ausentes agravantes e atenuantes; aplicada redução de 1/2 pela tentativa, resultando em 7 anos e 6 meses de reclusão.
3. As decisões anteriores. Tribunal de origem manteve a pena fixada; decisão agravada redimensionou o aumento da pena-base para a fração de 1/6 da pena mínima por cada circunstância judicial desfavorável (culpabilidade e circunstâncias do crime), fixando a pena-base em 16 anos, mantendo a redução de 1/2 pela tentativa e a pena definitiva em 8 anos de reclusão.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
4. Há duas questões em discussão: (i) saber se a exasperação da pena-base pela fração de 1/8 da pena mínima por circunstância judicial desfavorável, adotada pelas instâncias ordinárias, pode subsistir sem fundamentação concreta específica, ou se deve ser substituída pela fração de 1/6 da pena mínima, usualmente aceita pela jurisprudência.
III. RAZÕES DE DECIDIR
5. A dosimetria da pena insere-se na discricionariedade regrada do julgador, condicionada à proporcionalidade e à fundamentação adequada, sendo possível a revisão quando verificada desproporcionalidade ou malferimento de regra de direito.
6. As frações de 1/6 da pena mínima por circunstância judicial desfavorável ou de 1/8 sobre o intervalo são parâmetros usualmente aceitos; a adoção de critério diverso demanda motivação concreta. Ausente fundamentação específica para a fração de 1/8 da pena mínima, impõe-se manter o redimensionamento para a fração de 1/6 da pena mínima por cada vetor negativo.
IV. DISPOSITIVO E TESE
7. Resultado do Julgamento: Agravo regimental desprovido.
Tese de julgamento:
1. A exasperação da pena-base por circunstâncias judiciais desfavoráveis deve observar parâmetro usual e proporcional, sendo legítima a adoção da fração de 1/6 da pena mínima ou 1/8 do intervalo, quando ausente fundamentação concreta para critério diverso.
Dispositivos relevantes citados:CP, art. 59; CP, art. 14, II
Jurisprudência relevante citada:STJ, AgRg no AREsp 864.464/DF, Sexta Turma, DJe 30/05/2017; STJ, AgRg no REsp 2.271.836/PA, Quinta Turma, j. 26/08/2026, DJEN 02/09/2026
Tese
1. A exasperação da pena-base por circunstâncias judiciais desfavoráveis deve observar parâmetro usual e proporcional, sendo legítima a adoção da fração de 1/6 da pena mínima ou 1/8 do intervalo, quando ausente fundamentação concreta para critério diverso.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Messod Azulay Neto, Maria Marluce Caldas, Reynaldo Soares da Fonseca e Ribeiro Dantas votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.