STJAgRg no AREsp 3.228.540
Estupro de vulnerável: estado de sono
Relator(a): Og Fernandes
- Direito Penal
- Processo Penal
- Estupro de vulnerável
- Estado de sono
- Pretensão de desclassificação para violação sexual mediante fraude
Ementa
DIREITO PENAL E PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. ESTADO DE SONO. PRETENSÃO DE DESCLASSIFICAÇÃO PARA VIOLAÇÃO SEXUAL MEDIANTE FRAUDE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 7 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.
1. De acordo com a jurisprudência sedimentada nesta Corte Superior de Justiça, o estado de sono, inclusive o torpor pós-despertar, que limita a pronta compreensão e reação da vítima, configura vulnerabilidade penalmente relevante e autoriza a subsunção da conduta ao art. 217-A, § 1º, do Código Penal.
2. O conjunto probatório das instâncias ordinárias indica que os atos sexuais tiveram início enquanto a vítima dormia e encontrava-se sob efeito de substâncias psicoativas, circunstância que suprimiu sua capacidade de resistência.
3. A figura do art. 215, caput, pressupõe consentimento viciado. Inexistindo consentimento e ciência do ato por parte da vítima, não há falar em violação sexual mediante fraude.
4. A pretensão recursal de afastar a vulnerabilidade reconhecida e de desclassificar a conduta demanda revolvimento de premissas fático-probatórias, providência incompatível com o recurso especial, nos termos da Súmula n. 7 do STJ.
5. A competência do Superior Tribunal de Justiça, no recurso especial, limita-se à uniformização da interpretação da lei federal em questões de direito, não se prestando ao reexame de fatos e provas fixados pelas instâncias ordinárias.
6. Agravo regimental improvido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEXTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 17/09/2026 a 24/09/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Sebastião Reis Júnior, Rogerio Schietti Cruz, Carlos Pires Brandão e Nilsoni de Freitas (Desembargadora Convocada do TJDFT) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Carlos Pires Brandão.