STJAgRg no AREsp 3.119.841
Corrupção passiva: cerceamento de defesa
Relator(a): Rogerio Schietti Cruz
- Direito Penal
- Compliance e Anticorrupção
- Corrupção passiva
- Cerceamento de defesa
- Insuficiência de provas para a condenação
- Prequestionamento ficto
- Não ocorrência
- Pena-base
Ementa
AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CORRUPÇÃO PASSIVA. CERCEAMENTO DE DEFESA. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS PARA A CONDENAÇÃO. PREQUESTIONAMENTO FICTO. NÃO OCORRÊNCIA. PENA-BASE. CULPABILIDADE E CONSEQUÊNCIAS DO CRIME. FUNDAMENTAÇÃO IDÔNEA. AUMENTO ADEQUADO. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.
1. No recurso especial, impõe-se a incidência da Súmula n. 211 do STJ quando a questão federal suscitada não foi debatida pelo Tribunal de origem, a despeito da oposição de embargos de declaração, o que evidencia a ausência de prequestionamento e a inovação recursal.
2. Verifica-se que, para suscitar o prequestionamento ficto, incumbia à parte alegar ofensa ao art. 619 do CPP, o que não ocorreu, razão pela qual não se supera o óbice da ausência de prequestionamento.
3. A fixação da pena é regulada por princípios e regras constitucionais e legais previstos, respectivamente, nos arts. 5º, XLVI, da Constituição Federal, 59 do Código Penal e 387 do Código de Processo Penal. Todos esses dispositivos remetem o aplicador do direito à individualização da medida concreta para que, então, seja eleito o quantum de sanção a ser aplicada ao condenado criminalmente, com vistas à prevenção e à reprovação do delito perpetrado.
4. Na hipótese, infere-se que a elevação da pena-base foi realizada pela análise desfavorável da culpabilidade e das consequências do delito. A instância ordinária consignou que o crime foi cometido por pessoa que figurava como chefe de cartório de uma Vara criminal, para quem a conduta criminosa é mais reprovável, pois atua em unidade com competência para análise de crimes, de forma a gerar dúvidas sobre a credibilidade funcional do órgão perante a sociedade. Pontuou, ainda, que as condutas, em relação a ambas as vítimas, merecem maior reprovabilidade, pois praticadas com proveito de sua fragilidade e desinformação para auferir vantagens.
5. Agravo regimental não provido.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Sexta Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Antonio Saldanha Palheiro, Carlos Pires Brandão, Og Fernandes e Sebastião Reis Júnior votaram com o Sr. Ministro Relator.