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Jurisprudências

STJAgRg no REsp 2.187.201

Estupro de vulnerável: presunção absoluta de vulnerabilidade

Relator(a): Reynaldo Soares da Fonseca

Ementa

PROCESSO PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. ESTUPRO DE VULNERÁVEL. PRESUNÇÃO ABSOLUTA DE VULNERABILIDADE. IRRELEVÂNCIA DO CONSENTIMENTO, DA EXPERIÊNCIA SEXUAL PRÉVIA E DO RELACIONAMENTO AMOROSO. PRETENSÃO DE REVALORAÇÃO JURÍDICA QUE DEMANDA REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.

1. O acórdão recorrido manteve a condenação pelo art. 217-A do Código Penal, assentando que a vítima tinha 13 anos, que o agravante sabia da idade e que não houve anuência familiar válida, além de registrar agressões no contexto de violência doméstica, também objeto de condenação.

2. A tese defensiva de revaloração jurídica, fundada em relacionamento amoroso, suposto consentimento da vítima, maturidade sexual e anuência familiar, exige a revisão da moldura fática fixada pelas instâncias ordinárias, providência vedada na via especial pela Súmula 7/STJ.

3. Ademais, a orientação consolidada desta Corte (Súmula 593/STJ e Tema 918) estabelece que "o crime de estupro de vulnerável se configura com a conjunção carnal ou prática de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo irrelevante eventual consentimento da vítima para a prática do ato, sua experiência sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso com o agente". A superação excepcional pressupõe quadro fático assentado que afaste a lesão ao bem jurídico, o que não se verifica na espécie.

4. Agravo regimental não provido.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental. Os Srs. Ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik, Messod Azulay Neto e Maria Marluce Caldas votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

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