STJAgRg no HC 1.021.943
Impossibilidade de revolvimento fático-probatório na via eleita
Relator(a): Maria Marluce Caldas
- Processo Penal
- Direito Penal
- Impossibilidade de revolvimento fático-probatório na via eleita
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL. HABEAS CORPUS COMO SUBSTITUTIVO DE REVISÃO CRIMINAL. INADMISSIBILIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE REVOLVIMENTO FÁTICO-PROBATÓRIO NA VIA ELEITA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus, sob o fundamento de que o writ foi utilizado como substitutivo de revisão criminal, o que é inadmissível conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça.
2. A parte agravante sustenta que o paciente estaria sofrendo constrangimento ilegal decorrente de nulidades processuais na ação penal de origem, como cerceamento de defesa, quebra da cadeia de custódia, ausência de comunicação do direito ao silêncio e insuficiência de provas para a condenação. Requer a suspensão do mandado de prisão até o julgamento de revisão criminal.
II. Questão em discussão
3. A questão em discussão consiste em saber se o habeas corpus pode ser utilizado como substitutivo de revisão criminal para suspender o mandado de prisão expedido contra o paciente.
III. Razões de decidir :
4. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de revisão criminal, conforme entendimento consolidado do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal.
5. A competência do Superior Tribunal de Justiça para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados, nos termos do art. 105, I, e, da Constituição Federal.
6. Não foram constatadas flagrante ilegalidade, abuso de poder ou teratologia que justificassem a concessão de habeas corpus de ofício, nos termos do art. 654, § 2º, do Código de Processo Penal.
7. A análise das alegações da parte agravante demandaria o revolvimento do acervo fático-probatório, o que não se coaduna com a estreita via do habeas corpus.
8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental não provido.
IV. Dispositivo e tese :
Tese de julgamento:
1. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de revisão criminal, salvo em casos de flagrante ilegalidade, abuso de poder ou teratologia.
2. A competência do Superior Tribunal de Justiça para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados.
Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 5º, LXVII; CF/1988, art. 105, I, e; CPP, art. 654, § 2º.
Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no HC 972.937/MT, Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 20.03.2025; STJ, AgRg no HC 961.480/MS, Min. Joel Ilan Paciornik, Quinta Turma, julgado em 12.03.2025; STJ, AgRg no HC 965.496/SP, Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 26.02.2025; STJ, AgRg no HC 1.008.495/RJ, Min. Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, julgado em 20.08.2025; STJ, AgRg no HC 771.217/SP, Min. Messod Azulay Neto, Quinta Turma, julgado em 24.06.2024.
Tese
1. O habeas corpus não pode ser utilizado como substitutivo de revisão criminal, salvo em casos de flagrante ilegalidade, abuso de poder ou teratologia.
2. A competência do Superior Tribunal de Justiça para processar e julgar revisão criminal limita-se às hipóteses de seus próprios julgados.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 27/11/2025 a 03/12/2025, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.