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Jurisprudências

STJAgRg no HC 1.033.066

Tráfico de drogas: busca veicular

Relator(a): Maria Marluce Caldas

Ementa

DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. BUSCA VEICULAR. DENÚNCIA ANÔNIMA DETALHADA. PRISÃO PREVENTIVA. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO.

I. CASO EM EXAME

1. Agravo regimental interposto contra decisão monocrática que não conheceu de habeas corpus e manteve a prisão preventiva decretada pelo Juízo de origem, posteriormente confirmada pelo Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo.

2. A defesa sustentou a nulidade da busca pessoal e veicular que embasou a prisão em flagrante, alegando ausência de fundada suspeita, pois a diligência teria se baseado exclusivamente em denúncia anônima desacompanhada de qualquer verificação prévia, em violação ao art. 240, §2º, do Código de Processo Penal.

3. A decisão agravada concluiu pela inexistência de ilegalidade flagrante capaz de justificar a concessão da ordem de ofício, considerando que a denúncia anônima era específica e detalhada, mencionando o nome do suspeito, o modelo, a cor e a placa do veículo, circunstâncias confirmadas em patrulhamento, legitimando a abordagem policial.

4. No agravo regimental, a defesa reiterou a alegação de nulidade da busca veicular, sustentando que não houve diligência prévia para verificar a verossimilhança da denúncia anônima e que a simples referência dos policiais à existência de uma denúncia não comprovada não autoriza a revista pessoal ou veicular.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

5. A questão em discussão consiste em saber se a busca veicular realizada com base em denúncia anônima específica e detalhada, corroborada por elementos objetivos constatados pelos agentes policiais, é válida e se pode embasar a prisão preventiva.

III. RAZÕES DE DECIDIR

6. A denúncia anônima foi considerada válida por ser específica e detalhada, contendo informações verificáveis, como o nome do suspeito, modelo, cor e placa do veículo, que foram confirmadas pelos agentes durante patrulhamento.

7. A abordagem policial não decorreu de mera intuição ou presunção subjetiva, mas de fundada suspeita, conforme art. 240, §2º, do Código de Processo Penal.

8. A jurisprudência consolidada do Superior Tribunal de Justiça admite a realização de busca pessoal ou veicular quando houver fundadas razões objetivas, inclusive com base em denúncia anônima detalhada e corroborada por constatação visual dos agentes.

IV. DISPOSITIVO E TESE

9. Resultado do Julgamento: Agravo regimental não provido.

Tese de julgamento:

1. A denúncia anônima específica e detalhada, contendo informações verificáveis e corroboradas por constatação visual dos agentes, constitui fundada suspeita para a realização de busca pessoal ou veicular.

2. A abordagem policial baseada em elementos objetivos e não em mera intuição ou presunção subjetiva é legítima, conforme art. 240, §2º, do Código de Processo Penal.

3. A análise da validade da busca veicular em habeas corpus limita-se à verificação da higidez lógico-formal da motivação empregada, não sendo possível o reexame aprofundado do quadro fático.

Dispositivos relevantes citados: CPP, art. 240, §2º; CPP, art. 157.

Jurisprudência relevante citada: STJ, AgRg no AREsp 2.376.304/PR, Rel. Min. Ribeiro Dantas, Quinta Turma, julgado em 13.06.2023; STF, Ag. Reg. HC 230.135-SP, Rel. Min. Edson Fachin, DJe 12.12.2023.

Tese

1. A denúncia anônima específica e detalhada, contendo informações verificáveis e corroboradas por constatação visual dos agentes, constitui fundada suspeita para a realização de busca pessoal ou veicular.

2. A abordagem policial baseada em elementos objetivos e não em mera intuição ou presunção subjetiva é legítima, conforme art. 240, §2º, do Código de Processo Penal.

3. A análise da validade da busca veicular em habeas corpus limita-se à verificação da higidez lógico-formal da motivação empregada, não sendo possível o reexame aprofundado do quadro fático.

Decisão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 16/04/2026 a 22/04/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.

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