STJAgInt no AREsp 3.133.199
Cessão de créditos: pretensão de exigir entrega de parte cedida de direitos sobre imóvel ou equivalente em dinheiro
Relator(a): Maria Isabel Gallotti
- Processo Civil
- Direito Civil
- Direito Imobiliário
- Cessão de créditos
- Prescrição
- Termo inicial
- Alegada prestação jurisdicional deficiente
- Questão relevante
- Omissão configurada
Ementa
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO. AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CESSÃO DE CRÉDITOS. PRETENSÃO DE EXIGIR ENTREGA DE PARTE CEDIDA DE DIREITOS SOBRE IMÓVEL OU EQUIVALENTE EM DINHEIRO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. ALEGADA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL DEFICIENTE. OCORRÊNCIA. ALEGAÇÃO DE QUE A OBRIGAÇÃO CONTRATUAL ERA EXIGÍVEL DE IMEDIATO, À ÉPOCA DA CONTRATAÇÃO. QUESTÃO RELEVANTE. OMISSÃO CONFIGURADA. RECURSO ESPECIAL PROVIDO PARA ANULAR O ACÓRDÃO LOCAL. DECISÃO MANTIDA.
1. Há ofensa ao art. 1.022 do CPC quando o Tribunal de origem não se manifesta sobre questão relevante ao deslinde da controvérsia, apesar de a parte ter oposto os competentes embargos de declaração.
2. No caso concreto, a tese defensiva de que a pretensão fundada em cessão de crédito era plenamente exigível em 2001, muito antes da alegada preterição do direito com a alienação de imóvel em 2021, é relevante para a definição do termo inicial da prescrição.
3. A apreciação da negativa de prestação jurisdicional não depende de reexame do conjunto probatório ou de reinterpretação de cláusulas contratuais. Inaplicabilidade das Súmulas 5 e 7 do STJ.
4. Interposição do agravo interno não configura, por si, intuito protelatório, para fins de aplicação da multa do art. 1.021, §2º, do CPC.
5. Agravo interno a que se nega provimento.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 13/10/2026 a 20/10/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Antonio Carlos Ferreira, Luís Carlos Gambogi (Desembargador Convocado do TJMG), João Otávio de Noronha e Raul Araújo votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento a Sra. Ministra Maria Isabel Gallotti.