STJAgRg no HC 855.672
Tráfico de drogas: ilicitude da prova
Relator(a): Daniela Teixeira
- Processo Penal
- Direito Penal
- Tráfico de drogas
- Ilicitude da prova
- Busca pessoal realizada por agentes de segurança privada
- Ausência de fundada suspeita
- Nulidade da prova
- Absolvição
Ementa
DIREITO PROCESSUAL PENAL. AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. TRÁFICO DE DROGAS. ILICITUDE DA PROVA. BUSCA PESSOAL REALIZADA POR AGENTES DE SEGURANÇA PRIVADA. AUSÊNCIA DE FUNDADA SUSPEITA. NULIDADE DA PROVA. ABSOLVIÇÃO. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO DESPROVIDO.
I. CASO EM EXAME
1. Agravo regimental interposto pelo Ministério Público do Estado de São Paulo contra decisão que concedeu habeas corpus de ofício em favor de Elias Rodrigues Batista dos Santos, reconhecendo a nulidade da prova decorrente de busca pessoal realizada por agentes de segurança privada e absolvendo o paciente do crime de tráfico de drogas
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
2. Há duas questões em discussão: (i) se a busca pessoal realizada por agentes de segurança privada pode ser considerada válida para fins de condenação; (ii) se a nulidade da prova decorrente dessa busca justifica a absolvição do paciente.
III. RAZÕES DE DECIDIR
3. A Constituição Federal e o Código de Processo Penal conferem às autoridades policiais e seus agentes a competência para a realização de busca pessoal, sendo vedado a terceiros, como seguranças privados, realizar tais atos, salvo em situações excepcionais.
4. No presente caso, a revista pessoal foi realizada por agentes de segurança da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), que não possuem atribuição legal para efetuar buscas em situações como a descrita.
5. A busca pessoal foi realizada sem autorização judicial e sem a presença de fundada suspeita, o que caracteriza flagrante ilegalidade e impõe o reconhecimento da ilicitude da prova, conforme art. 157, § 1º, do CPP.
6. Reconhecida a ilicitude da prova e suas derivadas, impõe-se a absolvição do réu nos termos do art. 386, II, do CPP.
IV. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Messod Azulay Neto.
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