STJAgRg no HC 1.035.433
Prisão Preventiva: fundamentação idônea
Relator(a): Maria Marluce Caldas
- Processo Penal
- Direito Penal
- Prisão Preventiva
- Fundamentação idônea
- Gravidade concreta da conduta
Ementa
Direito Processual Penal. Agravo Regimental em Habeas Corpus. Prisão Preventiva. Fundamentação idônea. Gravidade concreta da conduta. Recurso não provido.
I. Caso em exame
1. Agravo regimental interposto contra decisão que não conheceu de habeas corpus, no qual se alegava nulidade da prisão preventiva decretada de ofício e ausência de fundamentação idônea para a custódia cautelar.
2. A decisão agravada fundamentou a manutenção da prisão preventiva na gravidade concreta da conduta, evidenciada pela quantidade de drogas apreendidas (500g de maconha e 11g de ice) e pelo modus operandi da comercialização na modalidade delivery, além da periculosidade do agente.
II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO
3. Há duas questões em discussão: (i) saber se a prisão preventiva decretada sem requerimento do Ministério Público, do querelante, do assistente ou por representação da autoridade policial configura atuação de ofício vedada pelo art. 311 do Código de Processo Penal; e (ii) saber se a gravidade concreta da conduta e o modus operandi empregado são fundamentos idôneos para justificar a manutenção da prisão preventiva.
III. RAZÕES DE DECIDIR
4. A prisão preventiva não foi decretada de ofício, pois, mesmo com manifestação do Ministério Público pela liberdade provisória, o juiz pode decidir de forma diversa, sem que isso configure atuação de ofício.
5. A gravidade concreta da conduta, evidenciada pela quantidade de drogas apreendidas e pelo modus operandi de comercialização na modalidade delivery, demonstra elevado grau de periculosidade do agente e alta reprovabilidade da conduta, sendo fundamento idôneo para a manutenção da prisão preventiva.
6. A jurisprudência consolidada desta Corte reconhece que a gravidade concreta do delito e a periculosidade do agente são circunstâncias aptas a justificar a prisão preventiva para garantia da ordem pública.
7. Não há flagrante ilegalidade que justifique a concessão de habeas corpus de ofício, considerando que a necessidade da prisão foi fundamentada de forma concreta.
IV. DISPOSITIVO E TESE
8. Resultado do Julgamento: Agravo regimental não provido.
Tese de julgamento: 1. A prisão preventiva pode ser mantida com base na gravidade concreta da conduta e na periculosidade do agente, evidenciadas pelo modus operandi empregado na prática delitiva.
2. A prisão preventiva não configura atuação de ofício do magistrado quando há manifestação do Ministério Público, ainda que pela liberdade provisória, sendo possível ao juiz decidir de forma diversa.
Tese
1. A prisão preventiva pode ser mantida com base na gravidade concreta da conduta e na periculosidade do agente, evidenciadas pelo modus operandi empregado na prática delitiva.
2. A prisão preventiva não configura atuação de ofício do magistrado quando há manifestação do Ministério Público, ainda que pela liberdade provisória, sendo possível ao juiz decidir de forma diversa.
Decisão
Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUINTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 16/04/2026 a 22/04/2026, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Reynaldo Soares da Fonseca, Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto votaram com a Sra. Ministra Relatora. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Reynaldo Soares da Fonseca.